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Métodos não sísmicos buscam espaço no mercado

Métodos não-sísmico buscam espaço no mercado

Foto: Forum métodos não sísmicos - SBGfCom 64 participantes inscritos, entre eles 21 vindos do exterior, foi realizado no Rio de Janeiro, de 20 a 23 de setembro, o "Fórum Métodos Não-Sísmicos: Nascimento e Renascimento da Geofísica".

Organizado pela SBGf, com apoio da SEG e da ULG, o encontro contou com patrocínio da Petrobras, ANP e das empresas EMGS, EMTEK, Fugro, WesternGeco, Phoenix e Strataimage.

Durante três dias, (veja a programação do encontro aqui) os participantes assistiram apresentações e debateram sobre métodos potenciais (gravimetria e magnetometria), métodos elétricos e eletromagnéticos e geofísica de poço.

A presença de pesquisadores e profissionais com profundo conhecimento dos métodos facilitou a geração de discussões de alto nível. A maioria está ligada a companhias de serviços geofísicos e cerca de 30% vieram do exterior, demonstrando interesse em aplicar esses métodos no Brasil. Houve  boa participação de pessoal da Petrobras e da Vale, mas nem as grandes operadoras internacionais nem as pequenas petroleiras brasileiras enviaram representantes.

Patrícia de Lugão (Strataimage), do comitê organizador, disse que o Fórum de métodos não sísmicos teve, entre outros objetivos, a intenção de conscientizar as empresas de exploração de óleo e gás sobre a importância destes métodos, que são capazes justamente de ajudá-las a aumentar o conhecimento geológico em bacias sedimentares onde a sísmica, de modo recorrente, demonstra dificuldades no imageamento. Um exemplo típico, segundo Patricia, é a Bacia do Paraná com suas camadas de basalto que dificultam a caracterização da subsuperficie pela sísmica.

Patricia observa ainda que um dos entraves para ampliar o uso dos métodos não-sísmicos no Brasil é a pouca valorização das Unidades de Trabalho (UT) pelo Programa Exploratório Mínimo (PEM) que as empresas concessionárias da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) têm que executar nos blocos adquiridos em rodadas de licitação.

"O valor do PEM está todo focado na sísmica e nos poços. Algumas empresas até se interessam pelos métodos não-sísmico, mas perguntam logo quantas UT vão obter com os levantamentos. E a resposta é desanimadora: são apenas dez unidades por cada bloco, não importando se utilizamos uma, duas ou dez estações. E isso desvaloriza o trabalho com métodos não-sísmicos", destacou Patricia. Durante o debate, ela sugeriu aos participantes do Fórum que enviem cartas, apresentações e sugestões para a ANP demonstrando a utilidade dos métodos não-sísmicos e a necessidade do aumento o valor das UT, a fim de fomentar a atividade no país.

Incentivo

Por sua vez, a geóloga Marina Ferreira, que trabalha na Superintendência de Definição de Blocos da ANP, prometeu encaminhar à Agência a questão da valorização das UT para os métodos não-sísmicos. Segundo ela, a fiscalização dos Programas Exploratórios das concessionárias, fase em que as UT são contabilizadas, é feita pela Superintendência de Exploração e Produção, que atua após a licitação. "Vou procurar incentivar da melhor forma possível", sintetizou a geóloga da ANP.

Durante o Fórum, Marina Ferreira apresentou um resumo do Plano Quinquenal de Geologia e Geofisica 2007-2011, que está em andamento e tem como objetivo contribuir para aumentar o conhecimento geológico das bacias sedimentares brasileiras com foco nas áreas de fronteira exploratória.

"É intenção da agência, até o final do ano, licitar levantamentos magnetotelúricos nas bacias do Paraná, Amazonas e Parecis", comunicou Marina, acrescentando que desde o início do Plano já foram concluídos 12 levantamentos de diversos métodos em sete bacias; outros sete projetos em seis bacias estão em andamento; e mais quatro projetos estão em fase de licitação: sísmica 2D nas bacias de Jacuípe, Acre e Amazonas, e um levantamento piston core no Ceará.

Grande parte dos projetos contratados no Plano Quinquenal da ANP utilizam métodos não-sísmicos. Em sua apresentação, Marina mostrou uma seção sísmica da Bacia do Paraná onde não é possível identificar nem interpretar as informações devido à ausência de contrastes do método sísmico em áreas com cobertura basáltica. Com o projeto de levantamento magnetotelúrico previsto para ser licitado ainda este ano pela ANP será possível obter uma melhor compreensão da geologia dessa bacia.

Ambiente de colaboração

"O mercado brasileiro está atraindo empresas de serviço de geofísica, o que seria uma oportunidade para os brasileiros usarem métodos não-sísmicos", afirmou Ana Cristina Sartori (Geosoft), do comitê organizador. Ela considerou o resultado do Fórum muito positivo e destacou a palestra de Dan Difrancesco (Lockheed Martin) sobre aerogravimetria gradiométrica para exploração de hidrocarbonetos:

"Ele comentou que o tempo de amadurecimento necessário para mudanças de paradigma é longo e requer várias ações. Este Fórum é uma oportunidade de trazer pessoas com conhecimentos diversos para fazer intercâmbio, estimular a discussão e abrir a comunicação com a ANP sobre a possibilidade de uso de outros métodos. É uma semente dentro desse processo", salientou Ana Cristina, destacando ainda a necessidade de se criar ambientes de colaboração entre geocientistas com conhecimentos específicos em áreas diferentes.

"Falou-se muito em integração. Há que haver capacidade para transformar a informação em insumo para outro especialista que vai tomar a decisão de melhor aplicação. Tem que haver um ambiente colaborativo, que é onde vamos chegar no futuro," previu Ana Cristina, acrescentando que esta é uma responsabilidade, não apenas da área de softwares, mas de toda a comunidade geocientífica.

Foco no pré-sal

Para o presidente da SBGf, Eduardo Lopes de Faria (Petrobras), a escolha do tema "métodos não-sísmicos" foi acertada, embora não atraia muita gente, pois 90% dos geofísicos da área de petróleo são especialistas em sísmica. Faria destacou a presença de 30% de participantes estrangeiros, o que demonstra, segundo ele, que os métodos estão evoluindo e que o Brasil está sob o foco das empresas por causa das descobertas do pré-sal.

"Os métodos não-sísmicoss estão crescendo e a comunidade está aumentando. Um evento como esse é bom para ampliar a visão dos geofísicos e para atrair o interesse de mais gente para este contexto. É o papel da SBGf ajudar," afirmou.

Segundo Faria, estes métodos podem complementar a sísmica na exploração de petróleo, já que alguns elementos que por vezes a sísmica tem dificuldade de enxergar, como os fluidos, os levantamentes eletromagnéticos conseguem enxergar bem. Faria destacou dois métodos, a aerogravimetria gradiométrica e o eletromagnetismo de fonte controlada (CSEM) como 'promessas em desenvolvimento', lembrando, porém, que a evolução da tecnologia é lenta e leva de 10 a 15 anos para se fixar.

Risco exploratório

Participante ativo em todos os debates do encontro, Marco Polo Buonora, gerente de Métodos Potenciais da Área de Exploração da Petrobras e professor do Departamento de Geologia da UFF, destacou a importância do fórum, já que, segundo ele, os métodos não-sísmicoss são menos valorizados pela indústria do petróleo e mais utilizados pelas empresas de prospecção mineral.

"Há uma cultura ainda não muito bem estabelecida e vejo como uma oportunidade para se tentar homogeneizar o conhecimento, discutindo com colegas que trabalham na área, para tirar dúvidas e trocar informações sobre as tecnologias".

Marco Polo explica que o método eletromagnético é utilizado para mapear contrastes de resistividade na subsuperfície da Terra. Já o magnetotelurico é um método passivo, de alcance regional e global, com grande aplicação na indústria do petróleo e da mineração. O método magnetotelúrico tem sido utilizado na exploração de hidrocarbonetos em bacias sedimentares, devido ao seu poder de penetrar com sucesso em rochas resistivas, tais como vulcânicas, evaporitos e carbonatos, que podem estar associadas à presença de gás.

O método eletromagnético com fonte controlada (CSEM, na sigla em inglês), por sua vez, utiliza correntes alternadas com freqüências vairáveis para modelar a subsuperfície em levantamentos geofísicos realizados no mar e em terra. Por sua vez, o método mCSEM, utilizado no mar, tem sido empregado de maneira crescente na indústria do petróleo como ferramenta para reduzir o risco exploratório. O método toma partido do fato de um reservatório de petróleo no fundo do mar ser um resistor entre sedimentos condutivos, para realizar medições do campo eletromagético. Não surpreende que o mCSEM esteja entre os métodos não-sísmicos que mais tenha recebido a atenção da indústria.

A relação custo-benefício de um levantamento CSEM ainda é considerado elevado e por isso é utilizado com parcimônia pelas operadoras. Marco Polo cita o exemplo da perfuração de um poço seco, onde, após estudo das anomalias de resisitividade obtidas pelo levantamento CSEM, outro poço foi perfurado na estrutura resistiva, revelando-se a descoberta de petróleo.

"Se um poço nessa região pode chegar ao custo de U$ 50 milhões, já um levantamento CSEM de duas ou três linhas custaria entre U$ 3 milhões e U$ 5 milhões e poderia verificar se há anomalias de resistividade, indicando a presença ou não de óleo no prospecto. Nesse caso, o geólogo pode simular um modelo eletromagnético teórico de fonte controlada para verificar se aquele reservatório de óleo daria sinais no método eletromagnético. Em caso positivo, ele sugere um levantamento real naquela área. Cabe ao gerente de exploração a decisão de assumir o risco", completa Marco Polo, lembrando que os poços perfurados com o apoio dos levantamentos CSEM costumam apresentar uma taxa maior de acerto, demonstrando que vale a pena aplicar o método.

"Em áreas onde pode trazer algum tipo de ajuda, como, por exemplo, em águas ultraprofundas, a utilização desta tecnologia se justifica mais ainda", acredita Marco Polo.

Massa crítica

Para Andrea Zerilli, pesquisador da Schlumberger, o maior desafio para o crescimento dos métodos é a ausência de massa crítica formada por pessoas que trabalham nesses problemas. No mundo inteiro, a cultura dos métodos não-sísmicos, particularmente dos eletromagnéticos, é difícil de ser integrada à indústria do petróleo, que é muito conservadora. Zerilli lembra que até a sísmica 3D quando foi desenvolvida demorou muitos anos para entrar na rotina das equipes de exploração. "A nossa indústria pega as novidades lentamente e isso é um grande problema", afirma.

O pesquisador da Schlumberger não tem dúvidas de que o método eletromagnético é útil e cita, como exemplo, a indústria de logging de poço. "Todos sabem que os hidrocarbonetos dão alterações de resistividade e se formou uma cultura em torno disso. Agora temos uma grande possibilidade porque a exploração ficou mais complicada, em geral, e vai ter muitos prospectos em águas profundas. Significa que o custo do poço ficará mais alto e esse é um modelo de negócios viável: tem uma tecnologia, que se for adequadamente integrada, vai abaixar o risco exploratório", sentencia.

Outro aspecto destacado por Zerilli é a necessidade de se criar uma plataforma, um software, industrial que mais gente possa usar. "O exploracionista não sabe toda a matemática dos algoritmos de inversão sísmica em detalhe, mas se ele tiver uma estação de trabalho industrial, com interface gráfica amigável e um algoritmo bem robusto, ele poderá usar para trocar informações com o mercado. Essa é uma questão fundamental," analisa o pesquisador da Schlumberger. Zerilli lembra que na década de 1990, uma iniciativa desse tipo foi desenvolvida para os métodos gravimétrico e magnetométrico de forma integrada à sísmica. Devido a isto, mais profissionais começaram a usar nas companhias de petróleo e hoje há um fluxo de trabalho onde exploracionistas usam grav-mag integrado à sísmica de modo rotineiro.

Presenças de alto nível

Luis Fernando Braga, vice-presidente da Fugro Gravity & Magnetic Services, disse que o Fórum permitiu aproximar a comunidade de métodos potenciais do Brasil e internacional. Braga elogiou a presença de profissionais de alto nível no evento.

“Os participantes não são simples usuários. São desenvolvedores que conhecem as metodologias em profundidade, como Dan Difrancesco e Mark Dransfield, que tornaram acessível o uso da Gravimetria Gradiométrica pela indústria. Estavam presentes Marco Polo Buonora e seu time da Petrobras; Derek Fairhead, uma estrela dos métodos potenciais; Mark Odegard, um dos principais atores desse cenário; Eduardo Faria, que gerencia um dos maiores orçamentos da América do Sul em pesquisa geofísica, além de representantes do mundo acadêmico (Uenf, ON) e do setor de exploração mineral da Vale. Foi uma oportunidade única para discutir, tirar dúvidas, entender melhor as limitações e potencialidades das diversas tecnologias e além disso, reforçar as ligações entre o meio acadêmico e os desenvolvedores de tecnologia e a partir disso criar oportunidades para projetos conjuntos”, destacou.

Integração de métodos

Para o pesquisador Jandyr Travassos, gerente da área de Métodos Eletromagnéticos da Fugro para América do Sul, em um ambiente em que os alvos sísmicos são cada vez mais complexos, outros métodos podem fornecer informações adicionais que são muito bem vindas. Segundo ele, o método CSEM já está bem estabelecido na indústria do petróleo, possuindo um futuro promissor. Os métodos potenciais continuarão a contribuir não só em escala regional mas também na escala de detalhe tendo em vista seu atual poder de resolução.

Segundo Jandyr, há dois grandes desafios em pesquisa e desenvolvimento nesta área. A integração dos dados eletromagnéticos (EM) com os sísmicos e, na indústria, o estabelecimento de um padrão para o uso dos métodos EM, de modo que os clientes possam avaliar a qualidade dos serviços.

“Quando uma linha sísmica tem qualidade baixa, é possível saber o porquê. Nunca se afirma que a sísmica é um método que não funciona. Já em relação aos métodos EM, qualquer problema visto num levantamento depõe contra o método. E sabemos que não é assim. Então, o estabelecimento de um padrão, a nível industrial, é fundamental para que o método continue a crescer e a dar suas contribuições”, comentou Jandyr.

Força na interpretação

Representante da Vale, o geofísico Florivaldo Sena, elogiou o alto nível das apresentações no Fórum e destacou o desenvolvimento que os métodos eletromagnéticos estão tendo pela indústria do petróleo, e que acabam beneficiando a mineração. Ele lembra que a geofísica nasceu com os métodos potenciais e, bem depois, migrou na área de petróleo para os métodos sísmicos. “Agora os métodos não-sísmicos voltam a ser utilizados onde a sísmica não consegue resolver bem, complementando essa visão para melhorar o objetivo e encontrar petróleo, gás ou recursos minerais”.

Florivaldo informa que foi criado um grupo na Vale para promover a interação entre as áreas de óleo e gás e mineração. Recentemente, foi realizada uma reunião em Belo Horizonte entre os dois grupos para troca de informações e intercâmbio de banco de dados, pois os dois sistemas utilizam os mesmos dados (campo gravitacional, campo magnético), tanto de petróleo como de mineração. Segundo o geofísico da Vale, a empresa conta com geofísicos envolvidos com métodos não-sísmicos que são usados em mineração, mas também usa sísmica, por exemplo, para procurar bens minerais como potássio e carvão.

No caso da Vale, quase todo o investimento em pesquisa e desenvolvimento é aplicado em métodos não-sísmicos. Há recursos aplicados principalmente em estudos de interpretação, que é a força diferencial da Vale na área de exploração mineral. Toda a parte de levantamento geofísico é realizada por empresas terceirizadas e os dados adquiridos são utilizados para a interpretação das sondagens e para fazer as descobertas dos minerais que a empresa precisa.

Truques

Para o geofísico Renato Cordani, da Reconsult, o Fórum foi interessante pela qualidade das discussões e dos trabalhos apresentados para aplicações futuras. Na avaliação de Cordani, havia muita empresa oferecendo serviço e apenas duas possíveis contratadoras compareceram, Petrobras e ANP, além da Vale que veio só com a equipe da Mineração. “É preciso buscar mais as pessoas nas empresas para que conheçam melhor a utilização dos métodos geofísicos não-sísmicos”, argumentou.

A Reconsult, empresa de Cordani, trabalha com gravimetria e magnetometria para mineração há alguns anos e vem investindo no desenvolvimento de softwares novos para interpretação. Segundo ele, as técnicas (de magnetometria e gravimetria) usadas para mineração podem ajudar em muitos casos na detecção, principalmente em estruturas profundas que podem estar relacionadas à presença de óleo.

“As inversões (em gravimetria e magnetometria) que temos feito para mineração têm dado experiência para fazer o mesmo procedimento nas bacias sedimentares com alguma vantagem, que são truques utilizados em mineração há muitos anos e que os geofísicos não-sísmicos da indústria do petróleo talvez não conheçam. É nesse nicho que vamos tentar trabalhar”, salientou Cordani.


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