logo

 

Enquete

Gás de Folhelho

Vamos ter uma revolução do gás de folhelho no Brasil?

» Go to poll »
1 Votes left

jVS by www.joomess.de.


Fusakichi Omori, o pai da sismologia moderna japonesa

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Fusakichi Omori, o pai da sismologia moderna japonesa

O dia 11 de março de 2011 entrou para a história do Japão. Mas por um detalhe que poucos repararam. Não se tem registros de um terremoto que tenha provocado tantos tremores secundários como esse. Foram mais de 900 registrados até hoje. Destes mais de 60 ultrapassaram magnitude 6 e três de magnitude 7. São efeitos do mais forte terremoto num país que já é conhecido pela quantidade desse tipo de desastre. Para se ter uma idéia do que a região Tohoku (que é o nordeste japonês) basta ver a imagem abaixo.

Com tanta experiência na área não a toa o Japão já formou os seus grandes especialistas que estudaram esses movimentos sísmicos pós-terremotos.

Para quem não sabe: dá-se o nome de réplicas a tremores secundários que ocorrem após um tremor principal. Além de réplicas temos o premonitor. O premonitor é um tremor que antecede o principal. Lembrando que o principal, o terremoto em si, é sempre mais forte. Um exemplo de tremor premonitor foi o do dia 9 de março de 2011, às 22:00, em Tohoku, a poucos quilômetros do epicentro. O terremoto de 7,3 Mw não provocou grande estrago, apesar de ter preocupado, mas devido a sua intensidade parece ter enganado muita gente. Afinal poucos pensaram que poderia vir um pior. E veio: 40 horas e 46 minutos depois. Ou seja, após o terremoto principal sempre se deve por uma coisa na cabeça: todo grande terremoto vem acompanhado de réplicas. Podem vir minutos depois, horas, dias, anos depois. Mas nem sempre isso pareceu óbvio.

As réplicas foram estudadas primeiramente pelo sismólogo japonês Fusakichi Omori.

Omori nasceu no dia 30 de outubro de 1868, onde hoje se encontra a cidade de Fukui, capital da província homônima. Com 20 anos ele ingressou no Instituto de Ciências da Universidade de Tóquio. Lá se interessou pela sismologia, engenharia e física. Sismologia passou a ser a sua vocação sem tirar o foco das outras áreas. Anos mais tarde ele formulou a Lei de Omori que mais tarde foi modificada pelo professor emérito da Universidade de Tóquio Tokuji Utsu, isso deu origem a Lei Generalizada de Omori.

A lei calcula o decaimento das réplicas após um tremor principal. Até então acreditava-se que eram terremotos separados. A Lei de Omori foi formulada após a observação do Terremoto de Nōbi (também conhecido como Terremoto de Mino-Owari) em 28 de outubro 1891, se tornando assim um importante terremoto para história da sismologia. Com tremores posteriores ele calculou a intensidade e o intervalo entre eles. Mas Omori não parou por aí. Ele viajou para Europa onde aprimorou os seus estudos. Ele antes dos 30 anos já era chamado de o "Pai da Sismologia Japonesa".

No ano de 1898 ele construiu o Sismógrafo de Omori. Foi o primeiro sismógrafo com o aspecto moderno que conhecemos. Com ele pode-se medir com razoável precisão a intensidade do tremor e a localização do epicentro.

De lá para cá o sismógrafo sofreu modificações mínimas. Mas tarde com pequenas modificações da J&A Bosch Company of Strassburg surgiu o sismógrafo de Boschi-Omori.

Mas, Omori sempre quis pesquisar mais. Estudou a liquefação do solo causado pelo Terremoto de Meishan em 1906 e disse que 99% das mortes causado pelo Terremoto de Messina de 1908 foi devido as más condições dos prédios e moradias.

Omori também é reconhecido mundialmente também por ser o primeiro da área de engenharia sísmica ao fazer uma tabela comparativa examinando os efeitos de tremores em estruturas feitas pelo homem e comparando com efeitos de terremotos reais.

Em 1906, Omori viajou para San Francisco como chefe do Comitê Imperial de Arquitetos e Engenheiros. Lá apesar de ter dois de seus colegas atacados por cangues racistas anti-japoneses e seguiu seus estudos. Lá foram estudados as réplicas do Terremoto de San Francisco e instalados sismógrafos de Omori. Seus estudos fizeram com que ele aparecesse numa página inteira de jornal: O maior sismólogo do mundo diz: San Francisco está segura.

Anos mais tarde em 1923 Omori participou numa conferência na Austrália. Além da sua vocação com a sismologia ele teve sorte. Graças a essa viagem ele escapou do devastador Terremoto de Kantō. Mas se o terremoto não o mata outra coisa resolveu de se encarregar disso. O mais importante sismólogo da história do Japão foi diagnosticado com tumor cerebral logo após voltar de viagem. Ele foi internado no Hospital Universitário de Tóquio, ainda internado foi condecorado pela família imperial com a Ordem do Tesouro da Felicidade Sagrada, o Zuihoshō (瑞宝章, ずいほうしょう). Mais tarde a sua saúde foi se deteriorando cada vez mais. Até que dia 8 de novembro de 1923 o tumor o venceu. Omori faleceu deixando um grande legado.

Se hoje o Japão possui grandes sismólogos e se tornou o provavelmente país mais preparado do mundo isso se deve ao Omori. O homem que modernizou a sismologia.

(O artigo original está aqui.)

Nihil Lemos 

Últimas notícias

As mais lidas