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Pesquisa levanta novo mapa da mineração em MG

Pesquisa com uso de avião vai levantar potencial das áreas do estado pouco analisadas. Minas será 1ª unidade da Federação a ter 100% do território vasculhado com a tecnologia.

As últimas terras ainda desconhecidas do mapa da mineração em Minas Gerais começam a ser pesquisadas até dezembro, com recursos de R$ 12,5 milhões compartilhados entre a CPRM - Serviço Geológico do Brasil, empresa vinculada ao Ministério de Minas e Energia responsável pela conhecimento geológico básico no país, e a Companhia de Desenvolvimento Econômico do estado (Codemig).

O convênio já assinado entre a CPRM e a Codemig prevê o uso de equipamentos de alta tecnologia embarcados em um avião para mapear as camadas de rochas de 140,6 mil quilômetros quadrados das regiões Noroeste, Leste, Sudeste e Sul do estado. Mais de uma centena de municípios será percorrida.

O novo levantamento aerogeofísico vai além de um conjunto essencial de informações que servirão para nortear a prospecção mineral e os investimentos da iniciativa privada em novas reservas minerais. Minas será o primeiro estado no Brasil a ter 100% de seu território coberto pela pesquisa básica nessa metodologia, técnica em que estão avançados os grandes concorrentes do Brasil na produção mundial de minerais, como o Canadá e a Austrália.

O superintendente regional de Belo Horizonte do Serviço Geológico do Brasil, Marco Antonio Fonseca, informou que as áreas já eram consideradas prioritárias e deverão ser sobrevoadas até fevereiro do ano que vem.

"Conhecemos muito pouco essas áreas. Há indícios em alguns pontos do Sudeste de Minas da ocorrência de sulfetos, ouro, manganês, estanho, nióbio e tântalo. No Nordeste de Minas, vamos pesquisar áreas favoráveis a pedras coradas e granito ornamental", disse Fonseca.

As informações levantadas deverão estar disponíveis para as empresas de prospecção e pesquisa mineral no fim de 2011. Em iniciativas anteriores do Serviço Geológico do Brasil, da Codemig, da Petrobras e da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o estado contava com 66,8% do seu território (371,5 mil quilômetros quadrados) cobertos pela aerogeofísica de alta resolução.

Se as chuvas não atrapalharem, as equipes das empresas vencedoras da licitação já realizada, a Microsurvey Aerogeofísica e Consultoria Científica e Fugro Lasa Geomag, do Rio de Janeiro, poderão iniciar os trabalhos de preparação dos voos nos próximos dois meses.

"O acordo com a empresa federal de pesquisa geológica básica viabilizou a corrida do estado para identificar a riqueza de seu subsolo", diz Paulo Sérgio Machado Ribeiro, subsecretário de Desenvolvimento Mínero-Metalúrgico e Política Energética.

O levantamento aerogeofísico chega num momento de recuperação dos preços das chamadas commodities minerais (matérias-primas cotadas no mercado internacional) e de reação da indústria da mineração, que foi uma das mais afetadas pela crise financeira mundial.

"Grande parte da onda de desenvolvimento da indústria mineral em Minas é resultado dos levantamentos geológicos já realizados", afirma Paulo Sérgio Ribeiro.

Conforme o Estado de Minas noticiou recentemente, os pedidos de pesquisa protocolados junto à superintendência mineira do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) mais que dobraram de janeiro a setembro deste ano. A instituição registrou 3.540 protocolos, alta de 104,7% em relação ao verificado no mesmo período de 2009 (2.357 requerimentos). Os números se referem apenas às tentativas do setor privado de descobrir novas minas no estado.

Baixo Risco

Tarefa do setor público nos países que têm a mineração como uma das principais fontes de sustentação da economia, o levantamento aerogeofísico é instrumento de atração de investimentos, ao diminuir os riscos da pesquisa mineral bancada pelas empresas e o Brasil está atrasado nisso, segundo Paulo Camillo Vargas Penna, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

"A pesquisa básica é absolutamente fundamental num momento em que os preços dos metais estão em
ascensão. Com essas informações , o investidor tem a possibilidade de descobrir reservas a custos mais baixos", afirma.

O Ibram estima investimentos do setor de US$ 62 bilhões em projetos de extração e ampliação da produção brasileira de bens minerais até 2014. Quando se observa o orçamento mundial da pesquisa geológica básica, no entanto, o Brasil participou com parcos 3% dos US$ 7,3 bilhões aplicados no ano passado. Canadá e Austrália contaram, respectivamente, com 16% e 13% do
total, de acordo com estudo do Ibram. A perspectiva, agora, de acordo com Vargas Penna, é de que esse aporte cresça. Em 2008, foram investidos US$ 13,4 bilhões em geologia básica e o Brasil também representou a mesma fatia de 3%.

A pesquisa mineral tem importância fundamental em Minas, uma vez que o estado responde por mais da metade (53%) da produção brasileira de minerais metálicos e por 29% da extração de minerais em geral. Algo surpreendente para as próprias indústrias está no fato de que mesmo em áreas já exploradas e que marcaram a história de mais de 300 anos da mineração no estado, novas jazidas estão sendo exploradas.

É o caso de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Outro exemplo clássico é o de Itabira, na porção Central de Minas, berço das atividades da Vale, criada no começo dos anos 40 e que hoje está expandindo a produção, a partir do aproveitamento de minério de ferro de baixo teor. O Norte de Minas é considerado uma nova fronteira da mineração de ferro.

O levantamento aerogeofísico envolve métodos magnético e de gamaespectronometria que medem a intensidade do campo magnético da Terra e identificam anomalias nas rochas, primeiro passo para a descoberta de jazidas minerais. O avião voa a uma altura de 100 metros, acompanhando a topografia do terreno, e permite a leitura das informações pelos equipamentos a cada sete metros. Ao todo, o novo plano de voo em Minas será de 1,5 milhão de quilômetros quadrados em linha reta.

O estado em números

Minas Gerais é responsável por cerca de 53% da produção brasileira de minerais metálicos e 29% de minérios em geral encontrados no Brasil. O estado é o maior produtor de ferro, ouro, zinco, nióbio, fosfato, grafita, lítio e calcário. Das 100 maiores minas do Brasil, 40 estão localizadas em Minas.

Dos 10 maiores municípios mineradores do Brasil, sete são do estado. O ranking nacional é liderado por Itabira, na Região Central. Há mineração em pelo 250 municípios mineiros. Os produtos minerais e de origem mineral respondem por quase 50% das exportações do estado.

Estado de Minas (31/10/2010)

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