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Mistério sob o gelo - Uma aventura na Antártica

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Mistério sob o gelo - Uma aventura na Antártica

De espírito aventureiro, o paleontólogo Alexander Kellner já esteve em alguns dos lugares mais inóspitos do planeta. Nada porém se compara à viagem de 72 diasà Ilha James Ross, na Antártica. Com sua equipe, passou 37 dias acampado com um objetivo: procurar fósseis de animais que viveram há milhões de anos no continente. A experiência o motivou a escrever a trama de Mistério sob o gelo, sua segunda aventura pelo campo da ficção, publicado pela Editora Rocco. Kellner é professor do programa de pós-graduação em Zoologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador na área de vertebrados fósseis do Museu Nacional desde 1977. Também é autor de Na terra dos titãs, publicado pela Rocco.

Qual foi o maior desafio e a descoberta mais importante durante a sua expedição na Antártica?

A Antártica é, de fato, um lugar muito especial. Surpreende por reunir, ao mesmo tempo, uma rara beleza (paisagens de montanhas nevadas, lagos congelados e icebergs), um aspecto de fragilidade (pouca diversidade de vida em terra firme – nada de árvores, apenas musgos e liquens) e, acoplado a isso, uma extrema hostilidade à presença humana. Algo do tipo: não venham se estabelecer aqui!
Talvez o maior desafio da expedição tenha sido levantar todos os dias às 7h e andar pelo terreno em busca de evidências da vida que existia no passado do continente gelado. Ao contrário de outros projetos, que obtém dados em determinados pontos (medições ou coletas pontuais), o sucesso do nosso estava diretamente ligado à quantidade de terreno que podíamos cobrir – sempre a pé. Nesse sentido, a dificuldade não estava no frio, mas sim no vento, que não parava nunca! E esse vento, contínuo, minava a resistência de todos. Sem contar as constantes tempestades, tal qual relatado no livro, resultando em dias na barraca, sem ter o que fazer. Abria o sol e a “nossa realidade” era andar, andar, andar... Com as limitações de higiene, alimentação etc.

Mas tudo valeu a pena: trouxemos quase três toneladas de fósseis e rochas que contam um pouco de como era a vida no continente gelado há milhões de anos. Entre as descobertas destaco um tronco de quatro metros e meio, demonstrando que existiam florestas naquela região há 80 milhões de anos. Também encontramos uma sequência parcial de vértebras e parte dos membros posteriores de um réptil marinho de mais seis metros – todos expostos em uma exposição itinerante. Sem contar com centenas de conchas (uma das amostras pesa quase 150 quilos) e folhas, além de outros pedaços de troncos menores. Muito legal!

E o maior ou mais surpreendente desafio em sua carreira?

Esta é uma pergunta difícil de responder. Foram muitas expedições, cada uma com características próprias e desafios distintos. Estive na China – onde a barreira da língua e dos costumes é algo complicado. O mesmo aconteceu no Irã – aliás, outra experiência fantástica. Também no deserto do Atacama (Chile), onde quase houve uma tragédia. Claro que a Antártica foi um grande desafio e um ponto alto na minha carreira. Para ter uma ideia, certamente um dos aspectos mais interessantes dessa expedição foi ela ter acontecido! Você imagina a competição que existe em termos de projetos, muitos grupos de pesquisa competentes tentando ter o privilégio (porque é exatamente isso: um privilégio!) de estudar o continente gelado – um dos pontos mais inóspitos do planeta. Imagine conseguir emplacar um projeto de paleontologia, que previa um acampamento longo – o maior feito pelo Brasil. Quando saiu o resultado do CNPq (no programa Proantar), todos nós, que estávamos diretamente envolvidos, ficamos muito, mas muito felizes mesmo. Do tipo pular de alegria! Chegando no meio do caminho, quase deu tudo errado: o navio não chegava à ilha James Ross! Dá para imaginar a frustração? Todo o trabalho e não chegar? Mas no fim deu tudo certo.

O que os dinossauros, ou o estudo dos fósseis desses animais, podem ensinar sobre o planeta hoje?

Aí está uma das mais interessantes contribuições que nós, os cientistas que estudam os fósseis, fazemos: nossos estudos desvendam literalmente outros mundos! Veja a Antártica, por exemplo. Hoje coberto por gelo, sem vegetação expressiva, focas em terra firme e baleias na água; mas, no passado, coberto por florestas, dinossauros caminhando na superfície e gigantescos répteis marinhos. Somente com o trabalho do paleontólogo podemos desvendar esta maravilhosa história que é a da evolução e diversificação da vida no nosso planeta.

O que as pesquisas realizadas no continente gelado revelaram sobre o aquecimento global?

Pesquisas realizadas por outros colegas indicam que o problema do degelo e do aquecimento global é real e tem afetado a região. O pior: afetando os polos, particularmente o aquecimento dos mares muda o clima em toda parte do mundo. Os verões mais quentes e invernos mais frios são, segundo alguns cientistas, um dos efeitos mais facilmente perceptíveis para nós. Pena que, apesar das evidências, poucas medidas concretas foram emplacadas. Muita conversa e pouca ação.

De onde surgiu a inspiração para criar os personagens João e Marcelo? Já tem planos de uma nova história protagonizada peladupla?

Essa é uma história antiga. Quando estava fazendo meu doutorado nos Estados Unidos, chegava tarde em casa. Meus filhos, na época muito pequenos, me esperavam. Para fazê-los dormir, eu inventava histórias. Aí surgiram João e Marcelo nos lugares mais diferentes do mundo, vivendo aventuras incríveis. Como a que é contada em Mistério sob o gelo...
Tenho dois projetos em vista. Um seria uma aventura no deserto do Texas, Estados Unidos, na fronteira com o México. Falando sobre o problema de imigração, fronteira, etc... Outro seria no Irã, onde realizei a expedição que encontrou os primeiros ossos de dinossauros. O Irã dispensa comentários e certamente seria muito interessante. Qual dos dois será que o leitor prefere?!

O que é mais difícil: encarar uma expedição para a Antárticia ou se aventurar pela ficção juvenil?

Andei pensando nisso recentemente. Escrever Na terra dos titãs demorou cerca de seis semanas. Já Mistério sob o gelo... foi quase um ano. Mas o mais difícil foi começar, depois a história meio que se desenvolveu por si própria. De certa forma, ambos não são fáceis. A expedição da Antártica deu muito certo, espero que o livro vá pelo mesmo caminho!

Qual é a sua maior satisfação e a maior dificuldade como escritor de livros juvenis?

A minha proposta é passar informação científica de forma lúdica. Não se trata de ensinar, como um professor na sala de aula, mas sim de entreter, ao mesmo tempo em que o leitor é despertado para vários assuntos interessantes, alguns, inclusive, que afetam a sua vida hoje. Mas o livro não é apenas para os jovens; a proposta é fazer um livro que agrade a qualquer pessoa que gosta de ler!

Biografia (Wikipédia)

Kellner nasceu em 1961 no principado de Liechtenstein, mas naturalizou-se brasileiro. Concluiu a graduação e o mestrado em geologia pela UFRJ e, em 1996, o doutorado pela Universidade de Colúmbia (em Nova York, EUA), em programa conjunto com o American Museum of Natural History (AMNH). Kellner ingressou no Museu Nacional em 1997, onde tem-se dedicado à pesquisa de vertebrados fósseis, particularmente os encontrados em depósitos cretáceos.

Entre suas descobertas principais está o dinossauro terópode Santanaraptor placidus, parente do Tyrannosaurus rex, que foi encontrado com o tecido mole preservado, e o pterossauro Thalassodromeus sethi (réptil voador contemporâneo dos dinossauros), que permitiu o estabelecimento de novas hipóteses a respeito de aspectos fisiológicos dos mesmos.

Destaca-se, por relevante, que no dia 28 de agosto de 2006, o Prof. e cientista Alex Kellner, em destacado evento da paleontologia, apresentou a toda comunidade científica mundial, no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na cidade do Rio de Janeiro, a réplica de um dinossauro brasileiro denominado cientificamente de Maxakalisaurus topai.
Dinoprata

O Maxakalisaurus topai é um dinossauro herbívoro de 80 milhões de anos, com aproximadamente 13 metros de comprimento e que pesava cerca de nove toneladas. A descoberta dos fósseis, no ano de 1998, se mostra extremamente importante porque tal espécie está relacionada a um grupo muito evoluído de dinossauros, chamado saltasaurinae. Os primeiros fósseis encontrados deste animal foram localizados na Serra da Boa Vista, a cerca de 45 Quilômetros da cidade de Prata, na região do Brasil conhecida como Triângulo Mineiro. Ele recebeu esse nome em homenagem à tribo indígena Maxakalis, que vive atualmente na região, e, após votação popular, passou a ser também chamado de DINOPRATA, em homenagem àquele município situado no Estado de Minas Gerais, local onde foi encontrado.

Dinoprata  (Maxakalisaurus topai)

 


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