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A carreira do Geofísico

A maior parte dos recursos minerais, principalmente o petróleo, é encontrada em profundidades muito além das alcançadas pelas observações da geologia de superfície. Para descobrir esses recursos, ou mesmo para entender os processos que ocorrem no interior do nosso planeta, é necessário obter e analisar informações sobre os contrastes entre as propriedades físicas das rochas e dos minerais. Esses contrastes geram perturbações nos campos naturais da Terra (gravimétrico, magnético, radioativo) ou podem ser detectados com o uso de sinais (acústicos, elétricos e eletromagnéticos) produzidos pela própria natureza ou artificialmente pelo homem

O trabalho do geofísico consiste em coletar, com auxílio de equipamentos apropriados, essas informações (em terra, no mar, em poços ou pelo ar), tratá-las convenientemente e interpretá-las com o auxílio do conhecimento geológico. Como as técnicas empregadas são, em geral, muito sofisticadas e o volume de dados levantados é extremamente grande, o perfil desse profissional é interdisciplinar e exige conhecimentos de geologia, física, matemática e computação, além de disposição para o trabalhar em equipe e, muitas vezes, em longos períodos no campo.

O desenvolvimento inicial das técnicas de geofísica foi relacionado com aplicações militares. A tentativa de localizar a posição dos grandes canhões da 1ª Guerra Mundial está na origem da sísmica de refração. Na 2ª Guerra foram desenvolvidos o sonar e o radar para localizar submarinos e aeronaves. Entretanto, a partir dos anos 1960, os avanços da eletrônica e da computação permitiram a aquisição, o registro e o processamento digitais de grandes volumes de dados. Isso tornou possível um imageamento muito melhor e mais confiável do subsolo, que culminou com o advento da tomografia e das modernas salas de visualização em três dimensões (3D).

O conhecimento do interior da Terra, também chamado de estudo da Terra Sólida, é de grande interesse científico. Entretanto, a esmagadora maioria dos geofísicos atua na indústria de petróleo, especialmente no uso do principal método para sua exploração, que é chamado de sísmica de reflexão. Este consiste em provocar ondas acústicas, através de uma pequena detonação ou fonte de vibração, que se propagam e são refletidas nas diversas camadas que compõem o interior da Terra e produzem o equivalente a uma sonografia da subsuperfície. Com isto é possível detectar estruturas com potencial para gerar ou armazenar óleo e gás, como ocorreu na descoberta do Pré-Sal, por exemplo, mas não diretamente a sua ocorrência. A inexistência até hoje de um método que indique diretamente a ocorrência dos hidrocarbonetos resulta em um grande número de poços perfurados "secos" ou com produção subcomercial, o que contribui para tornar a prospecção do petróleo uma atividade de grande risco econômico. É interessante notar que o estudo da refração das ondas sísmicas provocadas pelos terremotos permite determinar as divisões mais profundas da Terra.

Outros métodos geofísicos como a gravimetria e a magnetometria, embora usados com menor intensidade, são importantes tanto para a prospecção de petróleo quanto para a mineral. Os métodos elétricos e eletromagnéticos, que incluem também o radar e a ressonância magnética são fundamentais para a busca de minerais metálicos, para a perfilagem de poços, em algumas aplicações em engenharia e para a geofísica ambiental. Esta última cresce cada vez mais de importância, já que permite monitorar os recursos hídricos e a poluição. Outras aplicações estão relacionadas com a engenharia, tais como na construção civil (localização de materiais ou posicionamento de construções), no monitoramento de represas, ou até mesmo em pesquisas forenses.

O geofísico é, portanto, um profissional que pode atuar na indústria de petróleo, na mineração, na prospecção de água subterrânea, na engenharia e no meio ambiente. Embora os bons técnicos desfrutem de alto conceito e sejam bem remunerados, a sua formação exige muitos anos de estudo e dedicação. Além disso, por atuar em mercados globalizados, o geofísico sofre a concorrência de profissionais de todas as partes do mundo e necessita de uma permanente atualização de seus conhecimentos.


Paulo Buarque Guimarães é professor do Departamento de Geologia da Universidade Federal Fluminense e membro do comitê gestor do CTPetro. O texto acima foi originalmente publicado no Guia do Estudante 2010, uma edição especial da revista TN Petróleo.

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