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A profissão de quem estuda abalos

Após o terremoto no Japão, que deixou mais de 10 mil desaparecidos nesta sexta-feira (11), o mundo se pergunta se é possível fazer algo mais para prever catástrofes como abalos sísmicos. O país tem a melhor estrutura do mundo para prevenção de terremotos e redução de danos.

A resposta está nos sismólogos. Esses profissionais são responsáveis por fazer a previsão dos tremores. Tanto geofísicos, quanto físicos e engenheiros podem se especializar na área.

A sismologia estuda os terremotos e suas consequências na crosta do planeta e mistura matemática, computação, física e, muitas, muitas viagens. A carreira paga bem. De acordo com professores, o estudante sai da faculdade recebendo entre R$ 3.000 e R$ 6.000.

Há poucos representantes da área no país: no máximo, 30 profissionais, que trabalham na área, diz o professor de sismologia e geofísica Afonso Vasconcelos Lopes, do IAG-USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo).

Apenas sete universidades oferecem graduação em geofísica em todo o país, a principal a formar sismólogos. Todas são públicas, segundo o MEC (Ministério da Educação). São elas: USP, UnB (Universidade de Brasília), UFBA (Universidade Federal da Bahia), UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), UFPA (Universidade Federal do Pará), a UFF (Universidade Federal Fluminense) e a Unipampa (Universidade Federal do Pampa).

Como é o curso

Apesar de ser um curso com pouca concorrência nos vestibulares - 4,19 candidatos por vaga na USP- a graduação em geofísica é uma das mais puxadas, dizem alunos e professores ouvidos pelo R7.

Com duração de cinco anos, a graduação tem aulas de física, matemática, computação e geologia, em período integral. Na USP, o curso é dividido em dois ciclos. Nos dois primeiros anos, há aulas de cálculo, geologia e física. A partir do terceiro, o aluno cursa matérias profissionalizantes. Muitas lidam com conhecimentos de computação e criação de softwares para várias áreas, incluindo a sismologia.

Entre outras especialidades, o aluno de geofísica pode aprofundar seus estudos em sismologia, prospecção de petróleo, prospecção mineral, águas subterrâneas e geodésia (que estuda a forma da terra).

Mercado promissor

A sismologia é uma área atraente para quem sonha com a vida acadêmica. Muitas vagas estão voltadas para a pesquisa científica, como a de um projeto que o professor Marcelo Assumpção, também do IAG-USP, quer iniciar.

- Tenho um projeto com a Petrobras [para sismólogos] e não há ninguém no país que possa assumir isso comigo. Os poucos brasileiros que são doutores em sismologia estão empregados.

O sismólogo também pode atuar na construção de represas. Assumpção, que é especialista na técnica de prever terremotos, explica que, quando se constrói a barragem, a água penetra no subsolo. Ela causa pressão sobre o terreno e pode causar tremores de terra. Por isso, todas as grandes represas do país precisam de um sistema de monitoramento sismográfico.

Os grandes terremotos, que seriam os grandes objetos de estudo desses profissionais, são raros no Brasil. Isso ocorre principalmente porque o país está situado no meio de uma placa tectônica, longe dos locais onde os tremores de maior impacto acontecem.

Uma área irmã da sismologia e que tem empregado cada vez mais gente é a sísmica, conta o professor Lopes. A sísmica analisa tremores causados por fatores que não são naturais e as suas consequências. Um exemplo são as perfurações de poços de petróleo, que causam pequenos abalos sísmicos.

UNB

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