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João Carlos Moreno de Sousa

A Paleontologia é uma ciência muito confundida com a arqueologia. É muito comum encontrar alguém que acha que na Arqueologia se estuda os dinossauros, por exemplo. No entanto, a Arqueologia tem o objetivo de estudar a humanidade; já a paleontologia estuda as outras espécies (animais, vegetais, etc). É a Paleontologia que, de fato, estuda os dinossauros. Na verdade, a Paleontologia abrange muito mais do que apenas os dinossauros.

O que é Paleontologia?

Podemos pensar na Paleontologia como a ciência que tem como objetivo entender a história da vida na Terra através do estudo de vestígios preservados de seres vivos. Alguns pensam na Paleontologia como o estudo dos fósseis, mas nem todos os vestígios encontrados passam por processos de fossilização (e mesmo assim estão preservados).

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Fóssil de peixe do gênero Tinca. Fonte: Wikimedia

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Fóssil de planta conífera (Camaecyparis sp). Fonte: Fossil museum

A Paleontologia estuda os vestígios de seres vivos preservados desde... bem, se possível desde o período da origem da vida na Terra até, geralmente 10 mil anos atrás. Mas nada impede atuação de um paleontólogo em análises de vestígios mais recentes. Seus estudos incluem a análise de vestígios botânicos, zoológicos, e muito raramente (muito mesmo) de outros tipos de seres vivos caso estes estiverem bem preservados. Outro tipo de vestígio estudado são os icnofósseis, que são os vestígios preservados de atividades dos organismos, como pegadas fossilizadas. Graças aos estudos da paleontologia podemos entender os processos de evolução das espécies, suas formas de adaptação a diferentes ambientes ao longo de milhões de anos, até a interação destas espécies com a humanidade (em conjunto aos estudos arqueológicos).

Para saber mais: Site Colecionadores de Ossos

Diferenças básicas entre a Arqueologia e a Paleontologia

Enquanto o objetivo principal da Arqueologia é o estudo da humanidade, desde suas origens enquanto o gênero Homo, a Paleontologia objetiva estudar as outras espécies.

A Arqueologia, (apesar de sua enorme interdisciplinaridade com as ciências da terras, ciências biológicas, ciências sociais, e exatas) é classificada, genericamente, como uma ciência humana, ou ciência social, pois seu objetivo é o estudo da humanidade e suas sociedades. Os estudos de Arqueologia acabam por contribuir com outras ciências, eventualmente, mas principalmente com o estudo da humanidade mesmo.

Já a Paleontologia é uma fusão entre as ciências da terra e as ciências biológicas. Apesar dos métodos da Paleontologia estarem muito mais relacionados aos métodos geocientíficos, para atingir seu objetivo final são necessárias aplicações de métodos biocientíficos. Além disso, ela contribui de maneira multidisciplinar para ambas as ciências, principalmente no que se refere à história do planeta Terra e à evolução das espécies.

Os vestígios analisados pela Arqueologia vão desde ossos (as vezes até fósseis) humanos ou animais (desde que relacionados às atividades humanas), sepultamentos, instrumentos de pedra polida e lascada, utensílios cerâmicos, artefatos de madeira (raramente preservados), estruturas de fogueira, representações rupestres, estruturas de moradia (naturais ou construídas), vestígios botânicos (desde que relacionados às atividades humanas), artefatos históricos de qualquer lugar ou período... enfim, qualquer coisa relacionada à existência da humanidade em qualquer lugar, em qualquer período. Isto requer uma gama de interdisciplinaridade gigantesca com todas as áreas da ciência.

Os vestígios analisados pela Paleontologia se resumem basicamente nos fósseis, pois é um dos únicos tipos de vestígio de ser vivo que se preserva por milhões de anos. Em períodos mais recentes é possível estudar ossos que continuam preservados sem passar por processos de fossilização (no caso dos animais), ou até mesmo o pólen e os amidos que se preservam razoavelmente bem no sedimento (no caso das plantas).

E os dinossauros?

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Reconstituição de Tiranossauro rex. Fonte: Estatuas Limited Edition

 

Até aqui já deve ter ficado claro que a Paleontologia é muito mais do que simplesmente estudar os dinossauros. Quem estuda os dinossauros são os paleontólogos especializados na Era Mezosóica (que durou entre cerca de 200 milhões e 65 milhões de anos atrás – quando houve a grande extinção dos dinossauros), e até mesmo eles precisam entender mais do que apenas os dinossauros, estendendo sua gama de conhecimento à geologia destes períodos e a diversidade zoológica e botânica existentes também nestes períodos.

É possível unir os estudos da Arqueologia com a Paleontologia?

Com certeza!

Em sítios arqueológicos é comum a presença de restos alimentares constituídos de fauna pré-histórica. Nestes casos, não é necessário um estudo paleontológico, mas um estudo zooarqueológico. A zooarqueologia é uma sub-área da arqueologia preocupada em compreender a relação da humanidade com as espécies animais. Há também a arqueobotânica, que busca compreender a relação da humanidade com os vegetais.

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Esqueleto de Tigre Dentes de Sabre (Gênero Smilodon). Fonte: Wikimedia

 

No entanto, para que haja uma compreensão completa da fauna e da flora de uma região, não bastam os estudos zooarqueológicos e arqueobotânicos. São necessários também estudos paleontológicos, os quais são realizados em áreas onde não existem, necessariamente, vestígios arqueológicos. No Brasil, por exemplo, são raríssimos os vestígios que comprovem qualquer tipo de interação da humanidade com a extinta megafauna (grandes mamíferos, como: tigre-dente-de-sabre, preguiça gigante, tatus gigantes, mamute, mastodonte, etc). Apenas graças a Paleontologia é possível saber que, até cerca de 10 mil anos atrás estas espécies viveram nos mesmos ambientes que grupos humanos pré-históricos, e como eram os seus modos de vida.

Outro exemplo muito bom da união da Arqueologia com a Paleontologia é a Paleoantropologia. Paleoantropologia é, a grosso modo, o estudo da evolução humana. Ou seja, é a disciplina responsável pelo estudos de vestígios fósseis e de artefatos de espécies ancestrais humanas.

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Reconstituição de diversos hominíneos já extintos. Fonte: The Olduvai Gorge.

 

Como se tornar um Paleontólogo no Brasil?

Se já é difícil virar arqueólogo, devido aos poucos cursos que existem no Brasil por enquanto, se tornar um paleontólogo é um pouco mais complicado, pois cursos de Paleontologia (sejam de graduação ou pós-graduação) não existem neste país. Existem, porém, algumas alternativas que permitem um aluno estudar paleontologia e se tornar um profissional da área, mesmo sem obter um título de paleontólogo.

GRADUAÇÃO

O melhor caminho para iniciar uma carreira de paleontólogo no Brasil, uma vez que tal graduação não existe aqui, é cursar GEOLOGIA, ou GEOCIÊNCIAS. Existem inúmeras universidade no Brasil onde você poderá estudar Geologia. Se houver um núcleo de estudos de paleontologia é melhor ainda! Se não tiver, aí o aluno poder correr atrás de estudar alguns métodos das biociências por conta própria, ou fazendo estágios nos departamentos de biologia (zoologia e botânica). Estes núcleos de paleontologia, em alguns casos, oferecem opções de linha de pesquisa de mestrado ou doutorado em Paleontologia.

Outra opção de curso é a BIOLOGIA, ou então BIOCIÊNCIAS. No entanto, o aluno ou aluna deverá estar consciente que no curso de biologia aprenderá sobre áreas muito mais abrangentes, as quais ele poderá não ter muito interesse no futuro, e quase nenhuma aplicação em estudos paleontológicos. Caberá ao estudante estudar as disciplinas das geociências à parte. De fato, muitos paleontólogos brasileiros são formados, principalmente, em biologia.

PÓS-GRADUAÇÃO (Mestrado e Doutorado)

Como já foi dito, não existe mestrado ou doutorado em Paleontologia no Brasil. O que existem são programas de pós-graduação cujas linhas de pesquisa são na área de Paleontologia. O aluno que optar seguir estas linhas de pesquisa poderá atuar como paleontólogo no Brasil. Listo abaixo os programas de pós-graduação onde o aluno poderá realizar pesquisas em Paleontologia. Alguns deles são sugeridos pela Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP), no entanto muitos dos cursos, ou linhas de pesquisas, sugeridos pela SBP em seu site já não existem mais, infelizmente. Os cursos listados abaixo são apenas os que, de acordo com seus próprios sites, possuem alguma linha de pesquisa voltada à Paleontologia.

1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): Programa de Pós-Graduação em Geociências
O programa possui uma área de concentração em Paleontologia, com linhas de pesquisa em Micropaleontologia, Paleobotânica e Paleontologia e paleobiogeografia de vertebrados; paleopatologia.

2. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – Museu Nacional:Programa de Pós-graduação em Geociências (Patrimônio Geopaleontológico)
O programa possui áreas de concentração em Patrimônio Geológico e Patrimônio Paleobiológico, que envolvem ás áreas de Geologia, Paleontologia, Biologia, Oceanografia, Geografia, Ciências Ambientais, Engenharia, Arqueologia etc.

3. Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Rio Grande do Sul (UNISINOS): Programa de Pós-graduação em Geologia
O programa possui área de concentração em Sistemática e Biologia Evolutiva, com linha de pesquisa Paleontologia Aplicada.

4. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ): Programa de Pós-Graduação em Geologia
O programa possui área de concentração em Paleontologia e Estratigrafia.

5. Universidade Federal do Ceará (UFCE): Programa de Pós-Graduação em Geologia
O programa possui linha de pesquisa em Paleontologia e Geologia Histórica

6. Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul (UFSM): Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal
O programa possui área de concentração em Sistemática e Biologia Evolutiva, com linha de pesquisa Paleozoologia.

7. Universidade de São Paulo (USP) – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto: Programa de Pós-graduação em Biologia Comparada
O site ainda está em construção, mas aparentemente o programa possui área de concentração em Biologia Comparada de Animais, com linha de pesquisa em Paleozoologia (com ênfase em Tetrápodes).

8. Universidade Federal da Bahia (UFBA): Programa de Pós-graduação em Geologia
O programa possui uma área de concentração em Geologia Marinha, Costeira e Sedimentar, e uma das linhas de pesquisa se chama Micropaleontologia e recifes de corais (aparentemente atuando principalmente com foraminíferos).

9. Universidade de Brasília (UnB): Programa de Pós-Graduação em Geologia
O programa possui área de concentração em Bioestratigrafia e Paleoecologia

10. Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais (UFV): Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal
O programa possui linha de pesquisa em Zoologia e Sistemática de vertebrados(aparentemente com ênfase em mamíferos pleistocênicos).

11. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ): Programa de Pós-graduação em Análise de Bacias e Faixas Móveis
O programa possui área de concentração em Análises de Bacias, com linhas de pesquisa:Estratigrafia e correlação geológica; Estudos geológicos e paleoecológicos do Quaternário no sudeste brasileiro.

12. Universidade de Guarulhos, São Paulo (UnG): Programa de Pós-graduação em Análise Geoambiental – Mestrado
O programa possui linha de pesquisa em Indicadores de Transformações Ambientais (atuando com ênfase em paleobotânica).

13. Universidade de São Paulo (USP) – Instituto de Geociências: Programa de pós-graduação em Geoquímica e Geotectônica
O programa possui área de concentração em Geotectônica, permitindo aos alunos aplicarem estudos paleontológicos em suas pesquisas.

14. Universidade de São Paulo (USP) – Instituto Oceanográfico: Programa de Pós Graduação em Oceanografia
O programa possui área de concentração em Oceanografia Geológica, com linha de pesquisa em Evolução dos fundos marinhos e paleoceanografia.

Arqueologia e Pré-História (blog)

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