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manfredo-wingePara se fazer Geologia, é necessario tanto saber interpretar mapas geológicos já existentes quanto saber elaborar novos mapas geológicos. Veja aqui as notas de aula do Prof. Manfredo Winge, do Instituto de Geociências Departamento de Geologia Geral e Aplicada, da Universidade de Brasilia, para a disciplina de Instrumentação Geológica Básica.

T Ó P I C OS

1 - METODOLOGIA GEOLÓGICA

2 - O ESTUDO DE AFLORAMENTOS

3 - CURVAS DE NIVEL

4 - DIRECIONAIS DE CAMADA ou CURVAS DE CONTORNO ESTRUTURAL

5 - MAPAS TOPOGRÁFICOS E GEOLÓGICOS

6 - ALTÍMETRO, CLINÔMETRO E A BÚSSOLA DE GEÓLOGO

7 - PERFIS TOPOGRÁFICO-GEOLÓGICOS

8 - IMAGEAMENTO TERRESTRE E FOTOGEOLOGIA

E X E R C Í C I O S

1 - TRABALHO DE PESQUISA BIBLIOGRÁFICA

2 - EXERCÍCIOS COM MAPAS TOPOGRÁFICOS

3- CURVAS DE NÍVEL E DIRECIONAIS DE CAMADA

4 - LENDO"MAPAS GEOLÓGICOS

5 - CÁLCULO DE ESPESSURAS REAIS E APARENTES DE CAMADAS

6 - EXERCÍCIOS DE CARTOGRAFIA GEOLÓGICA

METODOLOGIA GEOLÓGICA

1. INTRODUÇÃO

O MAPA GEOLÓGICO é a forma de comunicação mais rápida e eficiente do geólogo, apresentando fatos e interpretações posicionados cartograficamente o que permite uma visão abrangente e imediata da geologia da área representada . Assim, para se fazer GEOLOGIA, é necessario tanto saber interpretar [=LER] mapas geológicos já existentes quanto saber elaborar mapas geológicos. Como princípio metodológico da geologia devemos, em primeiro lugar, obter ou providenciar o mapa geológico da área que nos interessa e na escala adequada aos nossos propósitos pois o MAPA GEOLÓGICO é o fundamento para qualquer trabalho subsequente, quer de exploração mineral quer de controle do meio ambiente, desenvolvimento urbano, construção de estradas etc.. Por falta desta visão de base, recursos de vulto do setor mineral têm sido dispendidos no País em campanhas de prospecção sem atingir uma definição concreta da existência ou não de jazidas. Assim, mesmo utilizando técnicas de etapas mais avançadas da exploração ou prospecção mineral como geoquímica, geofísica, etc.., nunca se deve prescindir do entrelaçamento destas técnicas com uma interpretação ou reinterpretação geológica, posicionando-se os fatos observados no espaço, cartograficamente, e interpretando a sua evolução no tempo geológico. O questionamento permanente dos modelos e hipóteses é inerente à profissão da geologia em um processo mental de testes de novas idéias face observações de fatos geológicos. Para isto é necessário o rigor científico com o trato diferenciado entre FATOS e INTERPRETAÇÕES.

2. A ESCALA DE TRABALHO E A DENSIDADE DE INFORMAÇõES

Um mapa geológico é uma representação sintética (e bastante interpretada) da natureza. Quanto menor a escala, menos resolução cartográfica (menos detalhes) temos no mapa que, por outro lado, representará áreas maiores proporcionando-nos uma visão de áreas maiores. Há no Brasil um limite comumente aceito de escala de mapeamento para trabalhos sistemáticos de campo que é o da escala de 1:250.000 (1cm = 2,5km). Escalas menores como 1:500.000, 1:1.000.000 etc.. são escalas de integração de dados de mapeamentos geológicos já realizados. Este conceito varia de país para paíse e com a evolução dos conhecimentos geológicos. Assim, por exemplo, em países menores as escalas de síntese (sem mapeamento de campo) geralmente são maiores do que esta assumida no Brasil e, no nosso próprio país, a escala de 1:250.000 já está no grupo de escalas de integração de dados em várias regiões. A vinculação direta entre a escala de mapeamento e a densidade de afloramentos estudados/km2 deve ser vista como uma aproximação de médias e com cuidado porquê sempre devem existir variações nesta densidade que são consequência da própria geologia mais ou menos complexa, da disponibilidade de afloramentos rochosos, dos problemas geológicos não resolvidos bem como do próprio objetivo do mapeamento. Assim, por exemplo, em um mapeamento de 1:100.000 devem ser feitos perfis detalhados e com precisão em locais-chaves para se estabelecer colunas geológicas medidas visando a definição da estratigrafia. Uma vez atendido este objetivo, o mapeamento do resto da área será mais facilitado situando e checando-se as unidades estratigráficas de acordo com o empilhamento definido pelo perfil detalhado. Escalas de mapeamento regional (menor densidade média de afloramentos estudados por unidade de área) exige, normalmente, maiores conhecimentos e prática do geólogo porquê o levantamento será apoiado em menos fatos geológicos observados no campo para interpretar áreas maiores do que em escalas maiores.

Classificação das escalas de cartografia geológica:

a. Escalas de síntese ou de integração de dados em nível continental ou nacional: 1:10.000.000; 1:5.000.000; 1:2.500.000. b. Escalas de síntese ou de integração ou de compilação de dados em nível regional: 1:1.000.000; 1:500.000. c. Escalas de mapeamento geológico em nível de reconhecimento regional: 1:500.000 (Amazônia) e 1:250.000. d. Escalas de mapeamento geológico sistemático do País: 1:100.000; 1:50.000. e. Escala de mapeamentogeológico de semi-detalhe: 1:25.000. f. Escala de mapeamento geológico de detalhe: 1:10.000; 1:5.000; 1:2.000. g. Escala de mapeamento geológico de ultradetalhe 1:1.000 e maiores.

As escalas de detalhe e ultradetalhe são comumente utilizadas nas fases ou etapas prospectivas dos projetos de localização e avaliação (quantificação e qualificação) de depósitos minerais, em trabalhos de geotécnica (estradas, aeroportos, urbanização....), de mapeamento de minas e outros. Naturalmente que os custos (pessoal, custos, tempo..) dos mapeamento de maior detalhe são maiores (aumentam exponencialmente - ao quadrado pelo menos) com o aumento de escala.

3. A METODOLOGIA GEOLÓGICA NA EXPLORAÇÃO (PROSPECÇÃO) MINERAL

O conhecimento comparado da geologia das principais jazidas, em nível mundial ou regional, permite-nos avaliar a possibilidade da região estudada possuir ou não determinados tipos de mineralizações ao observarmos condições similares às daquelas áreas mineralizadas. Assim, é fundamental no método geológico ter-se conhecimento dos modelos evolutivos das principais áreas mineralizadas do mundo bem como dos metalotectos que ensejam algum tipo de concentração mineral (metalotectos = processos "construtores" de concentrações minerais ou feições indicadoras destas concentrações minerais). Esta necessidade está vinculada ao processo mental, muitas vezes realizados em nível subconsciente, em que um pequeno indício nos leva a desconfiar da importância da área e eventualmente identificar uma região potencialmente mineralizada. É importante que já no campo comecemos a testar hipóteses a partir dos indicadores de metalotectos. Como princípio metodológico deve-se partir do GERAL para chegar ao PARTICULAR. Este princípio está relacionado com a estratégia ou filosofia de trabalho de DESCARTE das áreas sem interesse à medida que se desenvolve o projeto de pesquisa. Desta forma, partindo-se de áreas maiores e usando escalas menores, definem-se áreas mais localizadas ("alvos") que se apresentam geologicamente mais promissores para conter os minérios que interessam. Estas áreas menores são estudadas em escalas maiores com maior "resolução" cartográfica e maior densidade média de observações geológicas por unidade de área. De forma semelhante à área inicial, estas sub-áreas podem sofrer DESCARTES para estudos de ALVOS mais detalhados ainda. Técnicas auxiliares diversas como geofísica, geoquímica etc.., vem em auxílio da geologia nos momentos julgados convenientes pela equipe que executa o projeto lembrando-se sempre, da necessidade de integração entre os geólogos e os especialistas destas técnicass auxiliares. Empresas privadas normalmente não vão até a conclusão (mapa e relatório final) dos estudos regionais iniciais, deslocando a "mão de obra" geológica imediatamente para áreas-alvo. Isto, naturalmente, conduz a uma perda de informções relativas ao esforço realizado nas etapas iniciais (denominadas de "peneira grossa"), ganhando a companhia em tempo (e nos custos) da campanha.

4 - ETAPAS FUNDAMENTAIS DO MAPEAMENTO GEOLÓGICO

A seguir são relacionados as principais etapas de um projeto de geologia:

A - COMPILAÇÃO E ANÁLISE BIBLIOGRÁFICA: Reunião de documentos (mapas em especial, arquivos em computador, análises, relatórios, etc...da área do projeto, seleção e estudo dos documentos e informações que interessam no projeto preparando fichas/resumo;

B -FOTOINTERPRETAÇÃO PRELIMINAR: Estudo de imagens (LANDSAT, RADAM e outras) e das fotos áereas da região de interesse e circunjacentes próximas; trabalho frequentemente realizado junto com a análise da bibliografia. Se a região do projeto for próxima da sede onde está o geólogo ( ou sendo extremamente necessário), nesta etapa pode ser realizado um reconhecimento de campo ao longo das principais estradas fazendo-se um mapa geológico preliminar;

C - ETAPA(S) DE CAMPO: Percorrem-se, inicialmente, as prinicpais estradas para tomar contato com a área e localizar vias de acesso e facilidades para acampar ou se hospedar. Verifica-se simultaneamente a fotointerpretação no caso de não ter sido feito o reconhecimento de campo na etapa anterior. É interessante começar o estudo por áreas onde se tem, pela fotointerpretação ou pela bibliografia, conhecimentos de seções estratigráficas completas, mineralizações importantes ou ainda, padrões de fotointerpretação mais comuns. O estudo cuidadoso de afloramentos, principalmente de tipos de rochas ou das formações que vão sendo encontradas pela primeira vez, facilitará o mapeamento na medida em que for sendo desenvolvido. Mapeamento de detalhe e ultradetalhe exigem trabalhos de topografia simultanemente.

E - ETAPA(S) DE LABORATÓRIO: A cada etapa de campo sucede-se uma etapa de descanso e, normalmente, de laboratório na qual o geólogo deve estudar as lâminas petrográficas das rochas coletadas e ir organizando seus dados o que nem sempre é possível fazer nas etapas de campo. São locados os "pontos" estudados em mapa base (mapa de pontos ). É passada a limpo a caderneta ou providencida a transcrição sumária para computador. São organizadas as fichas de descrição petrográfica, de análise química etc..., na mesma ordem da caderneta de campo. É refeita a fotointerpretação e preparada a coluna estratigráficas a partir das seções geológicas.É elaborada a maquete do mapa geológico final das áreas que já foram estudadas.

F - ETAPA RELATÓRIO FINAL : Com o mapa geológicopronto e a estratigrafia (coluna geológica composta da área) definida e todos os pontos controvertidos verificados, deve ser feito o relatório final. Este relatório deve se ater aos aspectos importantes ao conhecimento geológico da área dentro do objetivo a que se propôs o projeto lembrando que o(s) mapa(s) geológicos(s) que o acompanha é um dos resultados mais importantes do serviço.

Os dados originais obtidos no mapeamento devem ser perfeitamente organizados na forma de um Relatório de Serviço e/ou Banco de Dados em computador contendo: mapa de "pontos", fichas de análises petrograficas, analises quimicas, transcrição da caderneta etc... Ele é uma especie de banco de dados evitando que se percam informações originais do serviço e que serão de utilidade para qualquer projeto futuro na mesma área.

05 - RELATÓRIOS GEOLÓGICOS

O Relatório Final de um projeto de geologia deve conter os fatos julgados fundamentais e as interpretações e hipóteses relativas â evolução geológica. Ilustrações fotográficas, desenhos, secções, etc..., enriquecem o relatório na medida em que são significativos e bem elaborados facilitando a compreensão do texto e tornando sua leitura mais clara (e amena).

Muitas destas ilustrações são obtidas desde as primeiras etapas de campo ao se desenhar afloramentos, cortes de estrada, amostra de mão, etc... o que leva ao princípio de que é importante o capricho e a clareza nas anotações ao tempo da atividade de pesquisa e não depois quando ocorre o esquecimento dos fatos.

Os relatórios geológicos são divididos em capítulos cujo conteúdo ou enfâse depende do(s) objetivo(s) do trabalho relatado. Assim, por exemplo, se o objetivo é avaliação de impacto ambiental em uma área, seão enfatizados tópicos como poluição de aqüiferos, erosão..; se o objetivo for descobrir jazidas minerais, a ênfase será dada a ítens como locação de ocorrências minerais, prospecção geoquímica, geofísica.. do minério, etc.

Em linhas gerais, um relatório de levantamento geológico consta de:

A - RESUMO: O tipo de trabalho realizado e os resultados conclusivos são sumarizados de 05 a 30 linhas. Em princípio não são feitas citações bibliográficas no resumo;

B - ABSTRACT: É uma versão do resumo em língua inglesa e é indispensável quando o relatório objetiva a publicação:

C - INTRODUÇÃO: Introduz o leitor no assunto em pauta, situa ou localiza a área levantada, descreve a metodologia de pesquisa, conceitua termos, etc... . Enfim prepara o leitor para a leitura subsequente podendo sintetizar o conteúdo dos vários capítulos.

D - CORPO DO RELATÓRIO: Vários capítulos compõem o corpo do relatório e serão enfatizados de acordo com os trabalhos realizados e com os objetivos colimados, sendo comuns os seguintes capítulos: Estratigrafia, Geologia Estrutural, Petrologia, Geologia Histórica, Geologia Econômica.

E - DISCUSSÃO: Com base nos fatos descritos ou levantados, são discutidos os resultados, as hipoóteses genéticas e formuladas sugestões de mais trabalho caso os resultados não tenham sido conclusivos, tudo de maneira precisa e sucinta.

G - CONCLUSÕES: É apresentada uma síntese dos principais tópicos discutidos e dos resultados (positivos e negativos !)

F - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Todas as citações de trabalhos anteriores ou relacionados ao assunto e que tenham sido citados no texto, devem ser relacionados neste capítulo evitando relacionar trabalhos que não foram citados no texto. Tanto as citações no texto quanto a listagem no capítulo devem seguir uma forma padronizada (ver contra- capa da RBG - Revista Brasileira de Geociências, na BCE - Biblioteca Central da UnB).

G - DOCUMENTAÇÃO E ANEXOS: Mapa(s) geológico(s), seções geológicas, são anexadas ao relatório. Em certos casos é interessante que esta documentação fique embutida dentro do corpo do relatório próximo do local onde é citada e/ou discutida. Esta documentação, importante para o bom entendimento dos relatórios em geral, deve estar relacionada com o texto de forma a não se ter um excesso de figuras, fotos... sem objetivo. Cada figura ou ilustração, apesar de relacionada com o texto, deve ter um certo grau de independência o que exige, as vezes, uma ou duas frases explicativas associadas diretamente com a ilustração ou foto.

Baixe o estudo completo:

Parte 1 de 4

Parte 2 de 4

Parte 3 de 4

Parte 4 de 4

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