Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Falecimento do Dr. Baccar

O Portal Geofísica Brasil cumpre o doloroso dever de comunicar o falecimento do geofísico Muhammad Amin Baccar na madrugada de 6 de setembro. Baccar estava internado no Hospital Copa D'Or há mais de um mês se submetendo ao tratamento de uma endocardite quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral de grandes proporções e consequências irreversíveis.

O Velório acontecerá no Cemitério São João Batista - Capela 2 - das 18 às 22 horas de hoje (6/9) e amanhã (7/9) das 9 às 14 horas, quando será realizado um culto para sua despedida. A cerimônia de cremação está prevista para o dia 8 no Cemitério do Cajú.

Homenagem

Em sua longa carreira na Petrobras e depois como consultor senior, Baccar construiu uma rede enorme de amigos, alunos e admiradores.Quem quiser participar desta singela homenagem pode enviar textos e fotos para o e-mail redacao@geofisicabrasil.com.

O Portal Geofísica Brasil republica aqui parte da matéria  "Autosuficiência em Petróleo",  publicada no Boletim da SBGf, em 2006, quando Baccar foi entrevistado pelo jornalista Fernando Zaider.


O princípio da produtividade

Na época em que chefiou o Departamento de Geofísica da Petrobras, o doutor em geofísica Muhamad Amim Baccar elaborou um trabalho comparativo sobre a produtividade dos levantamentos sísmicos. Ao assumir o cargo, em 1984, a média da produção das equipes de levantamento de dados sísmicos terrestres era de 65 km por equipe por mês. Em 1989, ao se aposentar, cada equipe produzia uma média mensal de 163 km.

"As inovações tecnológicas daquela época, superavam em muito as técnicas utilizadas anteriormente", salientou Baccar que mandou, na ocasião, refazer vários levantamentos do Recôncavo e montou um atlas comparativo, que mostra uma diferença ‘brutal' no detalhamento das imagens das mesmas linhas antes e depois. Dessa forma, Baccar confirmou o que ele chama de ‘Princípio Baccar': "qualquer levantamento geofísico com mais de cinco anos deve ser descartado e refeito".

Responsável por uma revolução no ensino da geofísica no Brasil, Baccar diz que levou 10 anos para aprender o que seus alunos levaram seis meses. Geofísica é uma ferramenta para o intérprete, que no Brasil também é geólogo. "De nada adianta ter um registro belíssimo se não conseguir interpretar a geologia da área. Se os dados são ruins não há cérebro que possa fazer a interpretação", afirmou.

Para Baccar, a geofísica foi importante para as descobertas de petróleo no país e continuará, por um bom tempo, a ser o único método indireto existente para o conhecimento das propriedades das rochas. A gravimetria, a magnetometria e a sísmica de reflexão são os instrumentos mais utilizados. "Sem a geofísica não haveria descoberta de petróleo no mar".

Baccar lembra que até o início da década de 1960, a geologia de superfície era a ferramenta principal na busca de reservas de petróleo e os métodos geofísicos eram extremamente incipientes, sendo que alguns eram apenas experimentais. Com a limitação da produção em terra, o Brasil se lançou em 1968 para a Plataforma Continental. Os métodos indiretos de geofísica começaram a ser cada vez mais utilizados e graças a eles, se abriu uma perspectiva diferente da história geológica da plataforma continental brasileira.

Geofísica Brasil - 06/09/2011

Que o amigo siga em paz

Só posso lamentar o pouco tempo que tive de convivio com o amigo Baccar. Foram somente 13 anos de convivio, e desses, quase 6 anos trabalhando juntos. Entre "linhas sísmicas" e "domos de sal", sempre encontrávamos um tempo para falar da família, dos meninos (os meus e os dele), e naturalmente do BOVESPA. Tive a felicidade e a sorte do Baccar entrar na minha vida e também na minha carreira. Mais que um "mentor", Baccar será sempre lembrado como um grande amigo. Muito triste perder um amigo, muito triste ver gente séria e brilhante seguindo o seu caminho. Que o amigo siga em paz .
Júlio César Moreira - Presidente da Gran Tierra Energy Brasil Ltda

Dr. Baccar, a Petrobras e o Brasil perderam um grande homem !
Jânio Basílio dos Santos - Petrobras / Serviços Compartilhados / Regional Norte-Nordeste

 

Lamento profundamente. Ingressamos juntos, na Petrobras, em 1958, para Curso de Geologia de Petróleo (dois anos, tempo integral, para engenheiros, ministrado na Bahia, por professores da Universidade de Stanford). Foram colegas dessa turma também o Álvaro e o Jeconias. Acho que vale destacar sua enorme contribuição ao desenvolvimento da Petrobras, com sua atuação no Iraque, nos anos 1970. Na verdade, embora desde a criação da Petrobrás pela Lei 2004 em 1953, a companhia pudesse atuar em E&P no exterior, isto só poderia ocorrer em países com os quais o Brasil tivesse Tratado de Cooperação. O interesse da companhia de investir no Iraque, um dos principais exportadores de petróleo para o Brasil, nessa ocasião, que não satisfazia essa condição, motivou a proposição ao Congresso, em 1971, para mudança da Lei, e modo a permitir a atução da companhia, associada ou não a terceiros, em países de seu interesse. A Braspetro foi criada em 1972 e um dos seus primeiros contratos foi celebrado com a companhia estatal iraquiana, cobrindo área próximo a Basrah, na fronteira com o Irã. Apresença do Baccar, com sua habilidade de contatos com as autoridades iraquianas e a eficiência com que conduziu os trabalhos exploratórios na área, motivaram a descoberta, em 1976, do campo gigante de Majnoon, com reservas de mais de 20 bilhões de barris de óleo leve. Ao retornar às atividades da Petrobras no Brasil no início dos anos 80, Baccar continou danado enorme contribuição aos trabalhos de geofísica, não só nas áreas terrestres como nas marítimas.

Wagner Freire

 

O Baccar foi um profissional e uma figura humana marcante para várias gerações de geofísicos e exploracionistas da Petrobras, e não fui exceção. Trabalhamos juntos na década de 80 quando ele chefiava a Divisão de Geofísica e eu o Setor de Controle de Qualidade da DIGEF. Aprendi muito com o Baccar, desde de técnicas de negociação com prestadores de serviços ("nunca negocie sozinho, tenha sempre alguém de testemunha") até como ganhar dinheiro na bolsa, pena que não aprendi esta lição. O Baccar tinha uma visão que hoje se poderia chamar de holística da geofísica - embora muito provavelmente não iria gostar dessa definição -. Responsável pela área de aquisição geofísica, participava ativamente das etapas de processamento e interpretação, e se orgulhava, com razão, de ser um bom intérprete. O Baccar tinha um humor fino e uma língua afiada, muito exigente, sempre com um sorriso malandro nos lábios.

São muitas as histórias do Baccar. Aqui vai uma: no tempo em que trabalhou pela Petrobras no Iraque, se aproveitava do nome e origem árabe nos relacionamentos locais. Chegava a dizer que era muçulmano, gaúcho muçulmano. Num período de Ramadã foi pilhado comendo durante o dia, sacrilégio para um muçulmano. Rapidamente se justificou dizendo que cumpria rigorosamente o jejum do Ramadã, mas de acordo com o fuso horário do Rio Grande do Sul ....

Grande Baccar, deixa muitos serviços prestados à Petrobras e muitas saudades entre os que tiveram o privilégio de conhecê-lo.

Jorge M. T. Camargo

Nos meus apenas oito anos de Petrobrás, lembro-me com saudades de minha convivência com o Dr Baccar. Sempre tolerante com os iniciantes da geofisica, da decada de 60 e 70. Juntamente com Carlos Walter e Waldemar Assis marcaram fortemente meu inicio de vida profissional. O Brasil, a geofisica brasileira perde um dos seus icones da prospecção do petroleo.

Jaime Paulino

Estou do outro lado do planeta, mas as notícias chegam muito rápido. Soube hoje com muita tristeza que o Dr. Baccar nos deixou. Com certeza deixará saudade. Curiosamente soube mais do passado do Dr. Baccar depois que estava longe do que quando estava por perto. Soube por exemplo que ele foi uma das pessoas designadas pela Braspetro para ir ao Iraque na década de 70 quando a Braspetro descobriu o campo de Majnoon. O que certamente fará muita falta é o seu constante otimismo, quando muitos já teriam jogado a toalha.

Ajay Chaba - Woodside Energy Ltd;  Australia

Conheci Baccar, quando do início da exploração na plataforma continental brasileira. Ainda engatinhando naquele novo prospecto, Baccar com o seu esmero e competência, foi um dos pioneiros na interpretação sísmica de reflexão, principalmente na Bacia do Espirito Santo. Posteriormente, quando então trabalhando na Braspetro/Argélia, estreitei o meu relacionamento com ele. Sempre paciente no trato com os colegas, disponível para qualquer assunto, revelou a sua competência e brilhantismo no mundo da geofísica, principalmente na sísmica de refração e reflexão. Queira transmitir aos seus familiares, os meus mais sinceros sentimentos com esta irreparavel perda.

Hamilton Maron Agle - Petrobras

 

Geofísico Muhamad Amin Baccar

Faleceu nesta cidade do Rio de Janeiro no dia 06/09 pp, aos 79 anos de idade, o geofísico Muhamad Amin Baccar, ou simplesmente Baccar, como era conhecido dentro da comunidade petroleira, onde granjeou o respeito e admiração do seu largo círculo de amizades, principalmente por parte daqueles que com ele tiveram a oportunidade de trabalhar na área de Exploração da Petrobrás e Braspetro.

Gaúcho de Sta. Cruz do Sul, era formado em engenharia química quando ingressou na Petrobrás em 1957, admitido para fazer o curso de Geologia de Petróleo, no antigo CENAP, em Salvador, BA, curso este mantido pela Petrobrás em Convênio com a UFBA.

Baccar teve uma extensa folha de serviços prestados à Petrobrás e Braspetro.

Iniciou sua carreira como geólogo de superfície na Bahia, logo passando para a área de Geofísica, onde trabalhou com sísmica de refração e sísmica de reflexão.

De grande destaque na sua fase bahiana, 1957 - 1968, ressalte-se a revisão que fez, da interpretação de antigos dados sísmicos (wiggle trace) obtidos na plataforma continental do Espírito Santo, que diferiam da interpretação vigente feita por técnicos estrangeiros no Rio de Janeiro e, que ele defendeu que a dele era a certa, o que causou grande discussão técnica, se se tratava ou não da presença de um domo de sal (até então, só se conhecia a ocorrência de domos de sal no Golfo do México).

Carlos Walter Marinho Campos, recém empossado à época como Diretor de Exploração, acreditou em Baccar e mandou furar o poço ESS-1 (Espírito Santo Submarino 1), em 1968, primeiro poço da plataforma, o qual comprovou a ocorrência do domo de sal.

Isto veio a mudar a concepção da história geológica das bacias costeiras.

Foi cedido à Braspetro, por ocasião de sua criação. Esteve no Iraque entre 1972 e 1979, onde exerceu a chefia da área de Geofísica, a gerência-geral e a coordenadoria do Projeto Majnoon. Foi ele quem escolheu as três áreas para prospecção naquele país, numa das quais, Basrah, agregada à fronteira com o Irã, foi onde ocorreu a descoberta de Majnoon.

Aposentou-se na Petrobrás em 1991, tendo atuado até a sua morte como consultor.

*Nota: Eu, particularmente, sou deveras reconhecido ao Baccar por ter-me indicado como o primeiro gerente-geral daquela Sucursal da Braspetro, onde conduzi com acerto a programação das linhas sísmicas (melindrosa em função do estado de beligerância entre Irã-Iraque), e o supervisionamento da interpretação sísmica, feita por um geofísico-trainee, Iraquiano, cujas locações por mim dadas, resultaram na descoberta do Campo de Majnoon.

O grande geofísico que foi, Baccar é sucedido nessa nossa passagem Terrena, por sua esposa, Lori e os filhos Mauro e Jorge.

Finn Iman Allah

João Victor Campos

Em nome de minha família, enviamos os votos singelos e pesares para toda família enlutada Baccar. Sou irmão da nora do falecido, casada com o filho mais velho de Seu Muhammad, Mauro, e não pudemos estar nos atos fúnebres, somente meus pais. Então fique aqui nossas condolências a Sra. Lory e filhos.
Marcos Francisco Muller e família.

 

 

Comente este artigo


Código de segurança
Atualizar