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Alberto Veloso

Acompanhamos pela mídia os recentes desastres nas América do Norte e no Caribe englobando mortes e destruições em larga escala: um terremoto de magnitude 8.2 no sul do México e um tufão iniciado no Atlântico, crescido no Caribe e agora caminhando com menos força pelo sul dos Estados Unidos. No seu auge atingiu categoria 5, a maior intensidade na classificação existente. Terremotos e tufões são fenômenos historicamente presentes nas regiões citadas e também costumeiros causadores de grandes desastres. No entanto, não podem ser entendidos e tratados da mesma forma, pois são distintos na origem e no modo de ocorrência. Fundamentalmente, terremotos não podem ser prognosticados, tufões sim, o que faz a diferença, pois há tempo para agir.

Ao predizer o nascimento, o crescimento, a intensidade e a trajetória de um tufão a ciência e a tecnologia dão enorme contribuição à sociedade. Mesmo se edificações, objetos e infraestruturas forem destruídos, vidas serão preservadas, pois há tempo de acomodar moradores das áreas alvo em locais seguros. Somente na Florida, fala-se na retirada de mais de seis milhões de pessoas, o equivalente a duas vezes a população de nosso Distrito Federal. Isso foi feito porque há recursos financeiros, sistemas de defesa civil atuantes e população treinada para enfrentar situações perigosas. Mas se olharmos para nações do Caribe o resultado é distinto, porque quase nada do anterior existe, ou funciona a contento.

Acostumados com o progresso da ciência torna-se difícil explicar por que ainda não se pode prever terremotos. Um dos vários problemas é que eles ocorrem a dezenas de quilômetros de profundidade, locais inacessíveis à medidas diretas sobre o nível de tensões nas falhas geológicas e nas propriedades mecânicas das rochas. Parece que o homem conhece menos o que está abaixo de seus pés, do que do outro lado do Sol. Ele já trouxe amostras da Lua e enviou naves para investigar a superfície de outros planetas, a milhões de quilômetros daqui. No entanto, o máximo que conseguiu obter de real, trabalhando por 24 anos, foi arranhar a crosta terrestre ao perfurar 12 quilômetros, através de um projeto russo na região do Báltico. Pelo avanço do conhecimento sismológico a previsão de terremotos situa-se em horizonte muito distante. Para muitos cientistas, nem um horizonte longínquo existe.

Diante destas incertezas é necessário reduzir vulnerabilidades, nem sempre possível a todos. Nos países desenvolvidos há recursos e tecnologia disponível para construir edificações a prova de sismos. Mas, nem mesmo lá, a segurança é total, pois existem estoques de construções antigas, claramente vulneráveis a terremotos importantes. Pior é o cenário dos países carentes de recursos financeiros e de tecnologia moderna, perigosamente situados em regiões de alto risco sísmico.

 

Tufões e terremotos são fenômenos naturais que sempre representarão perigo para várias localidades mundiais e não apenas aos países e regiões já mencionadas. Mas eles existem desde a consolidação da crosta terrestre e do surgimento dos oceanos e da atmosfera. Portanto, bem antes de o homem surgir no planeta. Nos cabe aprender a conviver com tais fenômenos e para aumentar nossa segurança necessitamos aprimorar sistemas de defesa e de monitoramento instrumental e avançar no conhecimento científico.

Geólogo, professor aposentado da UnB e autor do livro  Tremeu a Europa e o Brasil também

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