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 O debate sobre os impasses entre o licenciamento ambiental e a pesquisa acadêmica vai prosseguir na segunda edição do Workshop Horizontes da Geofísica que irá se realizar dentro da programação do 15º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica (SBGF), entre os dias 30 de julho e 3 de agosto, no Rio de Janeiro.

HorizontesGeofisica plateia

O geólogo João Correa, country manager da Spectrum Geo Brasil, um dos idealizadores e coordenadores do primeiro evento, realizado no final do ano passado, frisa que o objetivo é dar continuidade ao processo e manter aberto o canal de comunicação entre a sociedade e as autoridades responsáveis. 

Horizontes Geofisica Joao Correa

“Essa aproximação com a SBGF traz à cena um importante mediador, que pode exercer um papel definitivo no encontro de alternativas à transferência de conhecimentos específicos da geofísica para as diversas entidades de governo através de suas conexões naturais com a Academia”, salienta o geólogo.

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O primeiro evento teve o patrocínio da Spectrum, além da IAGC Houston (International Association of Geophysical Contractors, que reúne empresas de geofísica de várias partes do mundo), CGG do Brasil, PGS do Brasil, Polarcus e BGP e reuniu, além de geofísicos, representantes de operadoras, empresas do setor e órgãos ambientais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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Avanços consolidados

Nos últimos seis meses, Correa destaca que houve progressos muito importantes, ainda que não no ritmo desejado. “É inegável que avançamos. Houve uma grande aproximação não só entre o IAGC e o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), mas também entre as empresas que integram estas duas instituições”, pontua.

Também no âmbito do Ministério de Meio Ambiente (MMA) ocorreram avanços, segundo ele, citando a formação de um grupo de trabalho interno, além da abertura de uma importante e inédita porta de comunicação da indústria com o órgão federal.

Houve ainda uma reunião com o staff do diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Felipe Kury, na área do Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP). “Sentimos grande receptividade por parte da ANP a teses que podem contribuir para a soluções de vários problemas, como o banco de dados ambiental e o uso de verbas de P&D”, afirma.

Outro avanço destacado por Correa é a aproximação entre ANP e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que pode gerar uma atuação nos moldes de atuação do GTPEG (Grupo de Trabalho Interinstitucional de Atividades de Exploração e Produção de Óleo e Gás).

Geração de conhecimento

Um dos desafios do setor de exploração offshore é trabalhar de forma harmônica para que o licenciamento ambiental e a geração de conhecimento possam convergir para um grande banco de dados ambiental.

João Correa lembra que em 2014/2015, quando a CGPEG incluiu como condicionante de alguns empreendimentos a construção de bancos de dados, os membros do IAGC no Brasil propuseram o desenvolvimento de um banco de dados único e criaram um consórcio com este propósito.

“Hoje, após quase três anos, temos uma ferramenta desenvolvida pela empresa Prooceano, vencedora de uma licitação promovida pelo IAGC, sob a coordenação do Prof. André Barreto, da UNIVALI (Universidade do Vale do Itajaí - SC)”, comemora o geólogo.

A preocupação agora é dar vida a este banco de dados, que se não for efetivamente adotado nos fluxos de trabalho do IBAMA, corre o risco de ter destino semelhante ao BAMPETRO (Banco de Dados Ambientais para a Indústria do Petróleo), financiado pela FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) em meados dos anos 2000, e que está paralisado.

“Este banco de dados, caso seja adotado pela indústria, pode vir a ser uma peça fundamental na solução dos problemas citados”, salienta Correa. Segundo ele, os principais desafios estão na hospedagem, que requer investimentos contínuos, e nos acessos, que demandam recursos de infraestrutura que não podem ser absorvidos pelo IBAMA.

“As recentes mudanças na ANP nos animaram, pois vemos a possibilidade do BDEP vir a ser a residência deste banco, que assumiria a responsabilidade da gestão física, enquanto que a UNIVALI se encarregaria da gestão de conteúdo, até que o IBAMA possa assumir este papel”, diz Correa, complementando: “De qualquer forma, o destino deste banco está atrelado à existência de usuários que demandem por sua evolução, e é nesta página que nos encontramos.

Imediatismo compromete pesquisa

O country manager da Spectrum Geo Brasil lembra que muitas pesquisas tiveram um papel importante para a redução de riscos de um projeto e para o desenvolvimento do mesmo, com uma ação mitigatória que trouxe resultados acima do esperado.

“Quando a pesquisa é realizada por uma instituição séria, obedecendo a critérios científicos, ela sempre tem um papel importante, ainda mais em um país com tantas carências como o nosso”, salienta.

Segundo ele, há vários exemplos, como o monitoramento de tartarugas, feito pela Fundação TAMAR, e de mamíferos, realizado em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), além do projeto de mapeamento do assoalho oceânico, realizado em conjunto com a UFF e a FURG, entre outros.

“Mas os tempos da Ciência são outros. Para que uma observação científica possa criar consequências práticas é necessário respeitar o ciclo de vida da pesquisa que pode levar anos. Não se pode neste caso ser imediatista, sob pena de comprometer a pesquisa. O que eu quero dizer é que não há mágica e por isto não adianta pensar que uma pesquisa isolada dará todas as respostas. É o trabalho de uma vida e que deve fazer parte de uma política de Estado, e não limitada a um empreendimento isolado. Agir desta forma é fazer de conta que se está fazendo algo”.

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Tecnologias restringidas

O geólogo João Correa observa que tanto as pesquisas acadêmicas quanto as relacionadas a empreendimentos, principalmente na área de exploração e produção de hidrocarbonetos, vêm sendo impactadas pelas restrições às principais tecnologias de aquisição de dados geofísicos no licenciamento ambiental.
“O Brasil está parado no tempo. Todos os avanços ocorridos na última década com relação a tecnologias novas de aquisição, que envolvam mais de uma fonte sísmica, não foram possíveis de serem empregadas. E uma vez mais o desconhecimento é a justificativa”, enfatiza o geólogo. “Abrir mão do emprego de avanços da ciência é uma sentença de condenação para o atraso”, reclama.
Ele assevera que as reservas tradicionais remanescentes de hidrocarbonetos são cada vez menores e de percepção mais sutil, “sem falar nos desafios do pré-sal em que deveríamos ser protagonistas no encontro de soluções”. Ele afirma que todas estas novas tecnologias propiciam a capacidade de tornar mais nítidas as imagens da subsuperfície e com isto reduzir o risco exploratório.
“Podem até mesmo reduzir o número de pesquisas repetitivas em uma determinada área, por caracterizar de forma mais eficiente a subsuperfície, reduzindo desta forma o impacto decorrente de aquisições frequentes em uma região”, complementa.
João Correa vai além, destacando que o potencial de contribuição destas tecnologias no planejamento de estruturas e estratégias de produção mais seguras é de enorme importância para a preservação do meio ambiente. “Infelizmente estamos abrindo mão destes benefícios”, conclui.
Geofísica Brasil / Redação

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