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zalan-fotoOs resultados da 4ª Rodada de Licitações de Áreas com Acumulações Marginais – a primeira depois de dois anos sem leilões – sinalizam que o setor brasileiro de óleo e gás ainda tem muito a oferecer a investidores locais e estrangeiros.

Realizado pela realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 11 de maio, o leilão arrecadou R$ 7.977.983,46 em bônus de assinatura e teve o maior ágio médio (1991,52%) registrado em licitações de campos maduros. Nas oito áreas arrematadas, das nove oferecidas pela agência, a previsão de investimentos é de R$ 9.100.000,00. A área Itaparica, na bacia do Recôncavo teve o maior bônus de assinatura, R$ 5.710.000,00, oferecido pela empresa Newo, e o maior ágio do certame, de 8.050,04%.

Números que alimentam as expectativas do mercado em relação à 14ª Rodada de Licitações de Blocos para Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural, programada para este ano, na qual serão ofertados 287 blocos nas bacias sedimentares marítimas de Sergipe-Alagoas, Espírito Santo, Campos, Santos e Pelotas e nas bacias terrestres do Parnaíba, Paraná, Potiguar, Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Espírito Santo, totalizando uma área em torno de 122,6 mil km².

O Portal Geofísica Brasil conversou com o geólogo Pedro Victor Zalán, da ZAG Consultoria em Exploração de Petróleo, que fez uma análise do potencial petrolífero e da atratividade geológica das bacias e blocos ofertados. “Não há nenhuma inferência ou previsão ou análise levando em conta a atratividade econômica (que depende do preço do petróleo e de outras variáveis tais como bônus, royalties, tributos diversos, crise mundial e nacional etc.), a quantidade de trabalhos exploratórios necessários, problemas de conteúdo local e de licenciamento ambiental”, ressalva Zalán, que é mestre e doutor em Geologia pela Colorado School of Mines .

Quais áreas ofertadas na 14ª Rodada você acredita que têm mais potencial para atrair novos players/investidores? Por que?

Várias destas bacias apresentam potencial petrolífero que interessará a diversos tipos de companhias petrolíferas. Dependerá do tamanho das companhias (majors, médias, pequenas), do apetite pelo risco, da situação financeira atual e, naturalmente, dos incentivos que o governo colocará nas regras de licitação, específicas para cada bacia. Assim, de maneira geral, as grandes companhias internacionais se interessarão pelos blocos de Sergipe-Alagoas e Campos, e por alguns blocos do Espírito Santo e Santos. Estes blocos exigirão grandes conhecimentos, domínio de tecnologia e investimentos. Companhias com apetite por risco se interessarão por blocos nas Bacias de Pelotas e Paraná, aproveitando-se dos novos incentivos que o governo está prometendo para as áreas de novas fronteiras. Já as petroleiras mais comedidas e que estejam procurando blocos que ofereçam médio a pequeno risco acoplado a custos baixos e reservas menores preferirão os blocos de águas rasas da Bacia de Santos e, alguns da Bacia do Espírito Santo e, com certeza, os blocos terrestres da Bacia do Parnaíba. As empresas que apresentaram lucros no balanço do primeiro trimestre do ano estarão com dinheiro em caixa para adquirir novos assets exploratórios e aí poderão se interessar por qualquer um deles. Pequenas companhias nacionais se interessarão pelos blocos terrestres.

A Bacia de Santos é sempre um atrativo devido ao pré-sal. Qual a sua expectativa em relação aos blocos oferecidos no pós-sal?

Na Bacia de Santos, haverá forte concorrência pelos blocos de águas rasas que cercam o campo de Baúnas e descobertas associadas, bem como aqueles situados nas cercanias das descobertas da Karoon (que em 2016 assumiu o controle total dos blocos S-M-1037, S-M-1101, S-M-1102, S-M-1165 e S-M-1166, que concentram as descobertas de Kangaroo e Echidna). Nos blocos de águas profundas desta bacia também deverá haver certa concorrência por causa do potencial para pré-sal.

Bacia de Campos pode atrair novos players, para as duas áreas ofertadas em águas ultraprofundas? Há novos estudos ou revisão de estudos já feitos que apontem novidades que a tornem mais atrativa, além da infraestrutura existente na área?

Sim, acredito que a ANP vá apresentar resultados de suas interpretações de novos levantamentos sísmicos efetuados nas áreas oferecidas e que, segundo rumores do mercado, provavelmente indicarão um grande potencial para estruturas geológicas no pré-sal. A grande vantagem destas áreas é que serão adjudicadas no regime de concessão, pois se situam fora do polígono da partilha de produção. Será briga de "cachorro grande" pois as grandes lâminas d’água destes blocos exigirão uma capacitação técnica e financeira que poucas companhias apresentam. São blocos talhados para as grandes majors.

E a Bacia de Pelotas: o que há de novo sinalizando um potencial ainda inexplorado?

O que há de novo e positivo são os resultados obtidos pelo poço da Total na Bacia de Pelotas no Uruguai, próximo à fronteira com o Brasil. Embora não tenha descoberto hidrocarbonetos, o poço provou a existência de abundantes reservatórios arenosos de ótima qualidade. Isto era uma das grandes dúvidas que existiam em relação à potencialidade dessa bacia. Desfeita esta dúvida maior, empresas que tenham capacidade de vislumbrar áreas de novas fronteiras com grande potencial exploratório futuro não deixarão passar em branco esta oportunidade. Ainda mais com os incentivos que o governo está prometendo para esta bacia. É necessário perfurar poços profundos, na busca de reservatórios cretácicos próximos às rochas geradoras. Se a Total tivesse perfurado mais uns 2.000 metros, o resultado exploratório poderia ter sido bem diferente.

Sergipe-Alagoas terá duas áreas em águas profundas e uma ultraprofunda oferecidas no leilão. Ela tem potencial para vir a ser uma grande bacia produtora? A descoberta da Petrobras em águas ultraprofundas pode atrair empresas que já são parceiras dela?

Sergipe-Alagoas é atualmente a terceira bacia brasileira em termos de potencial petrolífero, justamente por causa das descobertas sensacionais da Petrobras nas águas ultraprofundas. Ela será uma grande província produtora na próxima década. Ela com certeza atrairá várias companhias estrangeiras, mas, nenhuma, acredito eu, que esteja em parceria com a Petrobras. Nesta concorrência participarão não só necessariamente aquelas já posicionadas. Espero também concorrência por parte de novos players.

Espírito Santo ainda é atraente? Por que?

As águas profundas e ultraprofundas dessa bacia são muito interessantes. Óleo e gás são abundantes por toda a bacia e em todos os níveis estratigráficos. Basta olharmos os resultados exitosos da Petrobras nos Parques do Cachorros, dos Doces e dos Deuses Indianos. Há leads fantásticos nos blocos oferecidos e que já foram mostrados pela ANP na 13a rodada (2015). Naquela época a situação do país era caótica e ninguém quis se arriscar a adquirir blocos nas condições extremamente desfavoráveis do leilão. Estas áreas estão de volta e provavelmente atrairão um certo número de companhias interessadas.

Em relação às bacias terrestres: Parnaíba mostrou seu potencial para gás natural. Você acredita que ela atrairá novos players, inclusive grupos internacionais com forte atuação na área de gás, como Rosneft, Gasprom, entre outras?

Sim, acredito em boas disputas pelos blocos desta bacia, principalmente por operadoras acostumadas com operações terrestres e que tenham o gás como seu objetivo principal. Todas as companhias que lá atuam e as citadas acima são candidatas a serem disputantes de blocos. Ainda mais que o governo indicou que está estudando modificações no perfil energético do país, com acionamento constante de termoelétricas a gás e usinas eólicas, para complementar o déficit energético causado pelas baixas precipitações pluviométricas dos últimos anos.

E a bacia do Paraná?

A Bacia do Paraná sofre de um estigma injusto no meio da indústria petrolífera internacional e nacional. Totalmente injustificado. A bacia tem tudo, e até mais, no meu entender, para repetir o sucesso da Bacia do Parnaíba. Companhias que tenham um certo apetite pelo risco e um corpo técnico sagaz e criativo, com gerentes que enxerguem longe, deveriam adquirir blocos nesta bacia. As áreas oferecidas possuem novas linhas sísmicas e cujos resultados indicam situações favoráveis para a ocorrência de gás. Como atrativos extras, há os novos incentivos do governo para as áreas de novas fronteiras e a proximidade do gasoduto Bolívia-Brasil. Com o esgotamento das pequenas reservas de gás boliviano em um futuro próximo, este gasoduto estará disponível para o escoamento de gás a ser porventura descoberto nestes blocos oferecidos nessa 14a rodada. Nas outras bacias terrestres, as áreas oferecidas são ideais para as pequenas companhias nacionais já estabelecidas neste ambiente de pequeno custo, pequeno risco, pequenas reservas e pequenas produções.

Geofísica Brasil

Comentários   

Cleveland M Jones
#1 Cleveland M Jones 12-06-2017 14:44
Ótima análise.
Apesar de tanta crise no Brasil, as rodadas que vêm por aí ainda representam um alento para as expectativas de mais atividade exploratória no país.
Poucos conhecem as diferentes bacias em que serão ofertados blocos, como o Zalán. De fato, a variedade de potencial e de risco das áreas ofertadas atende a diferentes perfis de empresas. Isso ajudará a aumentar o interesse pelos blocos das rodadas.
Entretanto, uma rodada de sucesso não se faz apenas com blocos com atratividade geológica diversificada. Precisamos continuar atentos às questões que têm sido inibidoras do investimento em outras rodadas.
Se espera que realmente estejamos diante de uma nova política, mais focada nas demandas dos possíveis participantes das rodadas, e que forneça previsibilidade e transparência, transmitindo confiança aos players da indústria.
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