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fapesp pesquisa climatica

Com mais de 40 apresentações sobre projetos de pesquisa, foi realizada nos dias 19 e 20 de junho a reunião Anual de Projetos do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

O encontro no auditório da FAPESP reuniu cientistas de diversas instituições do país em um panorama sobre o que há de mais avançado em pesquisa sobre o tema. Além de interdisciplinar, o PFPMCG engloba temas em diversos biomas brasileiros, como Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia.

“É um Programa bastante diverso, que cobre ciências do clima, energia, agricultura, ciências sociais, ciências sociais aplicadas, economia”, disse Gilberto Jannuzzi, membro da Coordenação do Programa de Mudanças Climáticas Globais da FAPESP.

Desde o início do PFPMCG, 91 projetos de Auxílio à Pesquisa foram concluídos e 47 outros estão em andamento. Ao todo, já foram concedidas 226 bolsas no país, das quais 51 estão em andamento. Outras 25 bolsas no exterior também foram concedidas no âmbito do Programa.

“A FAPESP tem buscado cada vez mais a excelência em programas voltados para a interdisciplinaridade como é o caso das mudanças climáticas”, disse Gilberto Câmara, também membro da Coordenação do Programa de Mudanças Climáticas Globais da FAPESP.

O PFPMCG apoia pesquisas no Brasil, em escala local, regional e global, realizadas por grandes equipes multidisciplinares. Os resultados das pesquisas podem auxiliar na tomada de decisões informadas cientificamente com respeito a avaliações de risco e estratégias de mitigação e adaptação.

Um exemplo tem sido o embasamento científico que o Programa tem oferecido para fundamentar acordos internacionais, como o firmado na 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21), em 2015.

“O acordo de Paris é de baixo para cima e atesta o vigor do movimento ambientalista de cada país. E os países conseguem formular compromissos interessantes. O Brasil se comprometeu a reduzir quantitativamente as emissões e tem um roteiro de ações. Nessas convenções, como a que originou o acordo de Paris, a função dos governos é combinar o que eles vão fazer e isso é objeto do que discutimos aqui”, disse José Goldemberg, presidente da FAPESP, na abertura do evento.

Social e ambiental na Amazônia

Uma área de atenção em vários estudos vinculados ao PFPMCG envolve as questões sociais na floresta amazônica. Na reunião, Emílio Moran, professor visitante da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), falou sobre os impactos sociais e ambientais da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, próxima à cidade de Altamira, no Pará.

“O setor elétrico continua com uma cultura de crise na qual não respeita o processo de consulta à população. Entre os casos mais emblemáticos está a hidrelétrica de Belo Monte”, disse. A pesquisa conduzida por Moran, com apoio da FAPESP, deverá se estender até agosto de 2018.

Ainda sobre a Amazônia, estudo liderado por Paulo Artaxo, professor da Universidade de São Paulo (USP), pretende entender como a poluição urbana na cidade de Manaus (com 2 milhões de habitantes) influencia as regiões de floresta tropical.

Outro projeto, conduzido por Jeffrey Richey, da University of Washington e USP, estuda a influência da dinâmica da maré no rio Amazonas e as fontes e destinos de matéria orgânica na concentração e emissão de carbono.

Medidas de adaptação

Durante o encontro foram apresentados projetos voltados a implementar medidas de adaptação às mudanças climáticas em cidades como São Paulo, tema que tem ganhado destaque nos últimos anos, conforme destacou Goldemberg. “Medidas de adaptação estão ficando populares. Isso está ganhando espaço”, disse.

Um dos projetos apresentados na reunião é realizado por um grupo do Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética (Labaut) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

O grupo pretende quantificar os impactos do adensamento e das superfícies urbanas no microclima urbano e no conforto térmico em espaços abertos e no interior dos prédios residenciais em São Paulo durante eventos de onda de calor ou em cenários previstos de mudanças climáticas.

O objetivo é que os resultados do projeto possam subsidiar políticas públicas e se traduzir em benefícios socioambientais para a população da cidade.

“Queremos saber qual o papel das ações de planejamento, do desenho urbano e dos edifícios nos fenômenos de aquecimento urbano, diurno e noturno, de modo que o uso e a ocupação do solo possam ser usados como parte da estratégia de adaptação e mitigação das mudanças climáticas em áreas urbanas”, explicou Denise Helena Silva Duarte, professora da FAU-USP e responsável pelo projeto.

Outro grupo de pesquisadores do Labverde, da mesma instituição, pretende implantar por meio de outro projeto uma “infraestrutura verde” em São Paulo, com o objetivo de reduzir as temperaturas nas ilhas de calor e adaptar a cidade às mudanças climáticas.

A ideia dos pesquisadores é criar, em uma área de aproximadamente 154 km2 de extensão situada entre a Serra da Cantareira e a calha do rio Pinheiros, corredores verdes no entorno de avenidas de fundo de vale – o ponto mais baixo do relevo, por onde escoam as águas da chuva.

“Pretendemos trabalhar nessas áreas com arborização intensiva, superfícies e tetos verdes e gestão da água e avaliar se isso pode possibilitar a redução de temperatura na cidade de modo a melhorar o conforto térmico e o bem-estar da população”, disse Maria de Assunção Ribeiro Franco, professora da FAU-USP e coordenadora do projeto.

Resiliência urbana

A cidade de São Paulo apresenta baixa resiliência às mudanças de temperatura, apontou Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP.

Segundo Saldiva, após um dia muito frio ou com muito calor há um aumento no número de óbitos na cidade. Em São Paulo, a faixa de temperatura com menor efeito na mortalidade da população é em torno de 20 ºC.

“Qualquer fator que aumente a mortalidade nesses índices em uma cidade que registra, em média, 160 mortes por dia, é muito importante”, avaliou.

O pesquisador realizou em parceria com colegas de dez países um estudo em que calcularam as mortes atribuíveis ao frio e ao calor – definidos, respectivamente, como temperaturas abaixo e acima da ideal – em 384 cidades no mundo, incluindo São Paulo.

Os resultados do estudo, publicado em 2015 na revista Lancet, indicaram que as cidades de Estocolmo, na Suécia, e Toronto, no Canadá, são as que apresentam maior resiliência a mudanças de temperatura.

“Nessas cidades, a temperatura pode chegar aos 30 ºC sem causar mortalidade, porque foram construídas de forma a permitir que sejam resilientes às mudanças do clima”, disse Saldiva.

“Cada cidade tem sua zona de conforto térmico. Mas, em geral, observamos que a mortalidade associada às mudanças climáticas está relacionada com a faixa etária da população e os padrões de construção das cidades”, disse.

Agência FAPESP – Maria Fernanda Ziegler e Elton Alisson 

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