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O 15º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica – CISBGf -Expogef, realizado entre os dias 31 de julho e 3 de agosto, no Rio de Janeiro, serviu como um termômetro para o setor, que tem a expectativa de aquecimento das atividades, principalmente no segmento de exploração e produção de hidrocarbonetos.

Foi o que sinalizaram alguns dos principais agentes da indústria de óleo e gás natural presentes no congresso, como o diretor geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Décio Oddone, e o gerente-executivo de Exploração da Petrobras, Mário Carminatti, entre outros que participaram do evento. 

Potencial das bacias brasileiras

O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, que vem participando de Road shows internacionais por pelo menos quatro continentes para divulgar as rodadas de licitações programadas para o período 2017-2019, apresentou a palestra “The Petroleum Potential of the Brasilian Sedimentary Basins”, na abertura do 15º CISBGf. (Baixe aqui a apresentação).

Para Oddone, o setor de Oleo e Gás vive momento de "grande transformação" com a  retomada dos leilões. Duas licitações serão realizadas este ano, a 14ª Rodada de áreas de E&P (27/9) e a 2ª do Pré-Sal (27/10), que, segundo ele, deverão destravar a indústria e ampliar o potencial exploratório brasileiro em breve.

Afirmando que o desenvolvimento do pré-sal terá cada vez mais impacto na economia brasileira, ele anunciou que o reservatório da área de Saturno, onde a CGG concluiu um levantamento de um sísmica 3D multicliente, no pré-sal da Bacia de Santos, pode ter o mesmo porte de Libra. Explicando que ainda não é possível dizer se há ou não CO2 nesse reservatório, onde ainda não foi realizada perfurações de poços, frisou que “Saturno é muito grande, é do tamanho dos maiores que nós temos”.

O dirigente da ANP também participou da entrega do prêmio que leva o nome de seu avô, Décio Oddone, ao geofísico de petróleo Sergio Michelucci Rodrigues, homenageado deste ano, que atuou durante mais de três décadas na Petrobras, passando ainda pela OGX e QGEP

Outro homenageado no congresso da SBGf foi o professor Milton Porsani, do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia, que recebeu o Prêmio Nero Passos, em reconhecimento à qualidade de suas contribuições acadêmicas. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Geofísica pela Universidade Federal do Pará (UFPA), e com pós-doutorado no Instituto de Geofísica da Universidade do Texas, desde 2009, Porsani coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Geofísica do Petróleo, do CNPq (INCT-GP/CNPq).

O prêmio Irnack do Amaral foi concedido a Roberto Gusmão (CPRM), pela contribuição à Geofísica da Mineração. Por sua vez, Jurandy Schmidt (Schmidt & Associados) foi homenageado pela SBGf com o prêmio Alcides Barbosa, por sua colaboração à Sociedade. 

Pré-sal demanda tecnologia e qualificação

O fórum Oportunidades e Desafios para o setor de E&P no Brasil teve a participação dos CEOs das petroleiras Shell Brasil, André Araújo; Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP), Lincoln Guardado; e Petrogal Brasil, Miguel Pereira, além de Mário Carminatti, da Petrobras. O debate foi moderado pelo secretário de Relações Institucionais da SBGf, Ricardo Rosa Fernandes, que é gerente geral de Exploração e Competências Técnicas de Libra, da Petrobras.

Carminatti destacou que o próximo desafio tecnológico será o de como tratar a gigantesca quantidade de dados disponíveis de subsuperfície adquiridos pela geologia, geofísica e a engenharia e como transformar tudo isso em conhecimento. "Dados não terão mais barreiras. O diferencial vai estar na forma de processar, na capacidade de processamento e na velocidade computacional," asseverou, acrescentando: "É um processo novo e disruptivo. Será preciso genialidade para encontrar os algoritmos que vão superar a próxima fronteira do conhecimento exploratório".

A Petrobras, segundo Carminatti, investiu em novas tecnologias, como computadores de alto desempenho, para ampliar a capacidade de processamento de dados de geoengenharia (geofísica, geologia e engenharia de petróleo) da petroleira estatal.  “Esperamos quintuplicar a capacidade de processamento de dados e, assim, aumentar a precisão das imagens do subsolo e reduzir riscos exploratório”, afirmou o gerente executivo da Petrobras , frisando que a meta é aumentar a eficiência na exploração e produção de óleo e gás.

Segundo ainda Carminatti, com a intensificação das atividades de E&P nas áreas do pré-sal, onde a Petrobras atua em parceria com outras companhias, como a Shell e a Total, haverá um crescimento na demanda desses equipamentos de alto desempenho bem como de outras tecnologias de processamento de dados. “Isso abrirá novas oportunidades para as empresas fornecedoras no Brasil”.

Tecnologia foi o mote da intervenção dos demais participantes do fórum, que apontaram a combinação de competência humana e capacidade computacional de elevado desempenho como fator decisivo para a superação dos desafios atuais da indústria, provocados pela queda do preço do petróleo e pelas atividades de exploração e produção em ambientes complexos, como águas ultraprofundas e camada pré-sal.

Os dirigentes das empresas petrolíferas também destacaram a necessidade de flexibilização do conteúdo nacional bem como a importância de investir continuamente na qualificação profissional e na pesquisa e desenvolvimento (PD), em parceria também as universidades e outras instituições. “O custo com treinamentos é pequeno diante dos resultados que trazem”, afirmou Carminatti. Já o CEO da Shell, André Araújo, reiterou que a empresa mantém a previsão de investir R$ 120 milhões em P&D no Brasil este ano.

SEG Honorary Lecture Program

 No dia 1º de agosto o professor Martin Tygel, da Universidade de Campinas (Unicamp), realizou a palestra Multiparametric traveltimes: Concepts and applications, a primeira deste ano prevista pelo Honorary Lecture Program, promovido pela Society of Exploration Geophysicists (SEG). Tygel foi um dos seis geocientistas escolhidos pela SEG para fazer palestras pelas principais regiões do planeta, sendo que vai participar de cerca de 25 eventos na América Latina até o final do ano.

Outros geofísicos brasileiros já foram selecionados como palestrantes honorários pela SEG, como Paulo Johann (Petrobras), que em 2008 falou sobre o tema: Reservoir geophysics: Characterization and monitoring offshore Brazil, e Marco Polo Buonora (Petrobras/UFF), que em 2013 proferiu a palestra The use of mCSEM for deep water hydrocarbon exploration in Brazil, em distintos países da região. 

O 15º Congresso em números

Segundo o chairman do 15º  CISBGf, Francisco Aquino (Petrobras), o evento ofereceu 17 minicursos, 33 sessões técnicas, seis workshops, duas mesas redondas, 14 keynote speakers. Foram aprovados 401 trabalhos técnicos (papers) dos quais 270 foram apresentações orais. 

Em paralelo ao Congresso, a Expogef, considerada a maior feira do setor na América Latina, com aproximadamente 1.600 metros quadrados, teve a participação de 29 empresas expositoras, além de instituições nacionais e estrangeiras, entre as quais a ANP, CPRM, MME, Advanced Geoscience Europe (AGE), EAGE, Sociedade Brasileira de Geologia, 10 universidades e cinco sociedades geocientíficas.

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